Polícia investiga incêndio e vandalismo em centro social do Porto

Um incêndio no Centro Social A Gralha está a ser investigado por suspeita de fogo posto. Ao que o PÚBLICO apurou, estará afastada a suspeita de se tratar de um crime de ódio

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O centro social autogerido Csa a Gralha refere no seu Instagram que o ataque "provocou inúmeros danos materiais"
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Um incêndio durante a madrugada desta segunda-feira, 12 de Maio, no Centro Social Autogerido A Gralha, no Porto, na mesma freguesia onde imigrantes foram agredidos por homens de cara tapada há uma semana, mas relativamente distante desse sítio, está a ser investigado por suspeita de fogo posto, disse fonte policial. Ao que o PÚBLICO apurou, estarão afastadas suspeitas de se tratar de um crime de ódio.

Fonte da PSP do Porto adiantou à Agência Lusa que o alerta de incêndio foi dado este domingo, pelas 5h, e que por haver suspeita de fogo posto foi accionada o piquete da Polícia Judiciária ao local. "Há uma mulher suspeita", acrescentou a mesma fonte policial.

Na página da rede social Instagram, o Centro Social Autogerido (CSA) A Gralha refere que foi alvo de "um violento ataque que provocou inúmeros danos materiais", designadamente a "destruição da porta e da montra, tentativa de incêndio da biblioteca social, incêndio de publicações informativas/políticas/associativas e destruição parcial da zona da cozinha".

A biblioteca social é um espaço de construção colectiva, com obras sobre temas como o feminismo, sexualidade, anti-racismo, economias e anticapitalismo, contracultura, anarquismo, movimentos sociais, ecologia, entre outros.

"Estamos neste momento a contabilizar os danos, a definir estratégias para colmatar as despesas imediatas e reorganizar o espaço. Contamos com a vossa solidariedade", lê-se no texto da instituição, que disponibiliza ainda o número de uma conta bancária.

Na manhã desta segunda-feira, uma das montras da associação estava já entaipada e havia fitas dos Sapadores Bombeiros do Porto a proteger esse espaço e impedir a passagem.

O centro social fica localizado na Travessa de Anselmo Braamcamp, no Bonfim, no Porto, a mesma freguesia onde, a 5 de Maio, ocorreram três ataques contra imigrantes no Porto em poucas horas. A polícia já identificou seis suspeitos desses ataques, tendo um deles ficado em prisão preventiva. Num dos ataques, um grupo foi agredido em casa por mais de uma dezena de homens com cara tapada e armados com facas, bastões e arma de fogo.

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, já condenou os ataques, falando em crimes de ódio inaceitáveis e sublinhando que não existe qualquer justificação para aqueles actos.

O centro social autogerido, que oferece várias actividades, tem uma biblioteca social, uma cantina vegan, além de uma loja. A instituição surgiu em 2019, para a "construção de alternativas e resistência ao sistema opressivo hierárquico e autoritário, sendo um local de convívio, de criação de pensamento crítico e de difusão de conhecimento livre, de intercâmbio de saberes, de acções combativas, de apoio às lutas sociais, de experimentação de práticas de economia baseadas na horizontalidade e no apoio mútuo", lê-se na página oficial do Instagram.

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