Portugal deverá ter uma meia-final do Mundial 2030

Candidatura Península Ibérica+Marrocos divulgou nesta terça-feira alguns dos seus princípios, mas ainda não há distribuição de jogos pelos três países.

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Fernando Gomes, presidente da federação portuguesa EPA/JOSE SENA GOULAO
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Muitos princípios orientadores, muitas promessas e um desejo de ficar para a história. Mas ainda poucos pormenores concretos sobre o que será o Mundial de futebol em 2030 organizado pelas duas nações ibéricas, Portugal e Espanha, e por Marrocos, mais três países sul-americanos (Argentina, Uruguai e Paraguai) como convidados especiais. O mais noticioso que é possível extrair da cerimónia de apresentação deste Mundial que aconteceu na Cidade do Futebol e que terá o lema “Yalla Vamos” é que Portugal tem mais ou menos reservada uma meia-final, já que nenhum dos seus três recintos apresentados (Luz, Alvalade e Dragão) chega à capacidade mínima estabelecida pela FIFA para receber o jogo do título.

“A final exige um estádio com o mínimo de 80 mil lugares e Portugal não é candidato a ter a final. Mas tenho uma esperança muito grande de ter uma meia-final. Quem tiver a final, deixas as meias-finais para os outros”, assumiu António Laranjo, coordenador deste Mundial Ibéria+Marrocos, o primeiro a envolver países de dois continentes diferentes – na verdade, são seis países de três continentes, mas a participação sul-americana ficou de fora de todos os discursos.

Já era mais ou menos esperado que fosse assim. A FIFA estabelece 40 mil espectadores como o limite mínimo de um estádio para receber jogos da fase de grupos, dos 16 avos-de-final, dos “oitavos”, dos “quartos” e o jogo de atribuição do terceiro lugar. As meias-finais têm de acontecer em estádios com capacidade mínima de 60 mil espectadores, enquanto o jogo de abertura e a final “exigem” recintos com um mínimo de 80 mil lugares.

Ou seja, a haver uma meia-final em território português, será na Luz (cuja lotação é de 65 mil), enquanto Alvalade e Dragão (ambos com 50 mil) só terão jogos até aos “quartos”. E nenhum deles, acrescentou António Laranjo, irá ter obras para aumentar a lotação. “Não estão considerados investimentos, são estádios que têm provado estarem nas melhores condições. Haverá beneficiações que cada um dos clubes ira fazer nos próximos anos”, disse.

Laranjo, que já esteve ligado à organização do Euro 2004 em Portugal, não se comprometeu com o número de jogos que poderá acontecer em território nacional. Só em Julho próximo, acrescentou, é que se saberá como ficarão distribuídos os jogos pelos três países, sendo já certo que Uruguai, Argentina e Paraguai irão ter um jogo cada um para assinalar o centenário do primeiro Mundial – em 1930, no Uruguai. “O que posso dizer é que serão 101 jogos. Isso ainda não é a nossa preocupação. Ainda não temos essa informação, vamos ponderar com a própria FIFA, e tem a ver com os estádios seleccionados”, reforçou.

E a final? Será no novo Santiago Bernabéu, em Madrid? Laranjo não se comprometeu com o novo estádio do Real Madrid, mas indicou que seria uma forte possibilidade para o jogo do título. “É um dos estádios que já visitámos, está praticamente terminado, é um magnifico estádio e tem a capacidade indicada, será indicado como possibilidade para receber uma final”, acrescentou, sem confirmar se já foram excluídas da candidatura final as cidades de Valência e Gijón: “Todas as 15 sedes espanholas já foram visitadas pela comissão e acompanhamos a sua evolução.”

Laranjo também não se comprometeu com estimativas de custos ou de potenciais benefícios económicos deste Mundial, salientando que Portugal, Espanha e Marrocos já têm “infraestruturas públicas e privadas que fazem com que os novos investimentos sejam criteriosos, racionais e saudáveis”. “Esse é um trabalho que está a decorrer. Daqui a um mês e meio saberemos mais do retorno”, revelou.

No total, serão 104 jogos a envolver 48 selecções entre 8 de Junho (os jogos na América do Sul, que acontecem antes da cerimónia de abertura a 13 de Junho) e o dia da final, 21 de Julho, naquele que será o Mundial mais longo de sempre – bem diferente do que foi o primeiro Mundial, que teve 13 selecções e 18 jogos, todos na mesma cidade, Montevideo, e em três estádios.

Ronaldo e o vento

Antes de António Laranjo explicar os princípios orientadores deste Mundial do centenário, “sustentabilidade, inovação, investimento e impacto social”, falaram Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fouzi Lekjaa, líder da Federação de Marrocos, e Fernando Sanz, em representação da Real Federação Espanhola, e todos insistiram no desejo de oferecer ao mundo “um Mundial que fique na memória, que seja o melhor de sempre e seja relembrado como o que definiu novos padrões para os seguintes”, como sintetizou o líder da FPF.

Ao longo da cerimónia, a organização apresentou alguns pormenores da imagem do torneio (o logotipo é um composto de símbolos a representar futebol, Sol, mar e vento e os três países) e estiveram na sala alguns embaixadores do torneio, como as capitãs das selecções femininas de Portugal e Marrocos (Dolores Silva e Ghizlane Chebbak), ou antigas glórias como Luís Figo, Nourredine Naybet e o togolês Emmanuel Adebayor.

Em vídeo, declararam o seu apoio ao Mundial jogadores como Bono, guarda-redes de Marrocos, Morata, avançado espanhol, ou Iniesta, que foi campeão mundial em 2010. Cristiano Ronaldo, que só deverá chegar à concentração na próxima sexta-feira, não estava ao vivo, mas gravou o seu apoio em vídeo. Em parte incerta, mas no exterior e com muito vento, CR7 terá dito coisas bonitas sobre o Mundial de 2030, mas não se percebeu nada.

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