Estrela estacionou o autocarro, mas o FC Porto passou por ele duas vezes

Os “dragões” não tinham margem de erro e cumpriram com a sua obrigação contra um opositor que jogou “à antiga”.

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Galeno marcou um dos golos do FC Porto contra o E. Amadora Reuters/PEDRO NUNES
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Já não é comum as equipas que competem na I Liga estacionarem o autocarro à frente da sua baliza (o mesmo é dizer, colocar quase todos os seus jogadores preocupados acima de tudo em defender, em linhas sucessivas de pernas que funcionam como barreiras para o seu adversário), mas foi isso que o Estrela fez. O desfecho não foi vantajoso para quem estacionou o veículo, com o FC Porto a conseguir ultrapassar o obstáculo por duas vezes e ganhar por 2-0, regressando aos triunfos na I Liga depois de duas partidas consecutivas sem vencer.

A margem era quase inexistente para o FC Porto, que já tem os seus dois principais rivais lisboetas com uma vantagem considerável na classificação do campeonato. E os “dragões” cumpriram. Venceram com golos de Galeno (36’) e João Mário (57’).

Sérgio Conceição inovou e apresentou uma linha defensiva em que Zaidu regressou ao flanco esquerdo para a vaga de Wendell (suspenso) e Otávio estreou-se e ocupou a posição de Fábio Cardoso (também castigado). Mas foram poucas as vezes em que os jogadores mais recuados dos "azuis e brancos" foram colocados à prova.

Isto porque pela frente, os portistas tiveram um estrela da Amadora que jogou à "antiga". Estacionou um autocarro à frente da sua baliza, com dez jogadores a tentarem unicamente defenderem as suas redes, deixando Ronaldo Tavares sozinho na frente de ataque, à espera que alguma bola longa lhe chegasse. E chegou.

O avançado dos amadorenses foi muito esforçado, chegou a incomodar Diogo Costa, até foi capaz de assustar o guarda-redes portista. Mas sozinho pouco podia fazer.

Por isso, estas arrancadas de Ronaldo Tavares foram a excepção à matriz do jogo, que foi um FC Porto a dominar e a controlar por completo as operações. Os jogadores de Sérgio Conceição tentavam abrir a porta daquele autocarro, normalmente flanqueando o seu jogo e depois cruzando para o interior da área. Mas também, verdade seja dita, sem grande imaginação.

Por isso, o Estrela foi segurando o nulo com relativa tranquilidade. Um cabeceamento de Evanilson, que obrigou a uma defesa apertada de Brígido, foi a excepção neste domínio pouco incisivo.

Uma lesão grave de Zaidu, à passagem da primeira meia-hora, fez o lateral portista sair de maca, mas este momento negativo para os portistas acabou por ser compensado com o primeiro golo do jogo, que passou pelos pés dos, provavelmente, três melhores jogadores do FC Porto da noite: Francisco Conceição, João Mário e Galeno, o autor do golo e que beneficiou também de algumas tabelas.

A segunda parte não trouxe alterações. O FC Porto chegou cedo ao 2-0, num belo golo de João Mário - antes Galeno tinha obrigado Brígido a uma grande defesa. Daí para a frente, pouco mais se passou de relevante na partida. O FC Porto baixou o ritmo, já gerindo esforços a pensar na partida de quarta-feira contra o Arsenal, para a Liga dos Campeões, enquanto o Estrela nunca foi capaz de mudar a sua forma de jogar, incomodando ainda menos vezes Diogo Costa do que no primeiro tempo.

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