FC Porto perdeu-se nas curvas e contracurvas de Arouca

Os “dragões” foram derrotados pelos arouquenses, por 3-2, e terminam a jornada 21 da I Liga a sete pontos dos líderes Benfica e Sporting

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Mujica festeja o golo frente ao FC Porto LUSA/JOSÉ COELHO
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A distância não é grande, mas a viagem entre o Porto e Arouca, repleta de curvas e contracurvas na chegada à vila na serra da Freita, terminou num despiste que pode ser fatal para o principal objectivo do FC Porto em 2023/24: a conquista do título nacional. Num encontro em que o trio de ataque espanhol do Arouca (Jason, Cristo González e Rafa Mujica) fez toda a diferença, os “dragões” voltaram a mostrar-se uma equipa sem chama e, com a derrota, por 3-2, terminam a jornada 21 da I Liga a sete pontos dos líderes Benfica e Sporting - os "leões" ainda têm um jogo em atraso.

Para uma equipa com o ego beliscado por um empate no Dragão na última jornada, o arranque da partida em Arouca não podia ter sido pior. Com uma jogada traçada a régua e esquadro, quase sempre ao primeiro toque, os arouquenses deixaram os portistas a olharem para a bola e, após 36 segundos, em desvantagem no marcador: após uma excelente combinação de Sylla e Jason, Cristo González colocou na área e Mujica, com uma finalização de cabeça, mostrou porque é um dos melhores avançados do campeonato.

O golpe podia ter deixado marcas nos “dragões”, mas meia dúzia de minutos depois, Robson Bambu, de forma displicente, fez falta sobre Evanilson na área. Na marcação da grande penalidade, o avançado portista fez o 1-1. Com dois golos em nove minutos, o jogo podia finalmente assentar.

Com a estratégia das últimas semanas (4x3x3), o FC Porto passou, a partir daí, a ter o comando do duelo, surgia com assiduidade perto da baliza de Arruabarrena e, aos 15’, o segundo remate portista forçou o guarda-redes uruguaio a mostrar atenção.

O Arouca, que procurava uma inédita sequência de quatro vitórias consecutivas na I Liga, parecia estar em apuros. Mas este Arouca de Daniel Sousa, já mostrou que é uma equipa tremendamente traiçoeira. Com a partida aparentemente controlada pelos portistas, os arouquenses saiam para o ataque sempre com critério e, numa dessas iniciativas, surgiu o segundo penálti, após Pepe desviar a bola com a mão. No frente a frente com Diogo Costa, Cristo não facilitou, colocando o Arouca novamente em vantagem.

Tal como tinha acontecido no início, a reacção do FC Porto podia ter sido imediata, mas o “bis” de Evanilson foi travado por um fora de jogo de 25 centímetros.

Já com uma substituição feita perto do intervalo - Varela, lesionado, cedeu o lugar a Eustáquio – os portistas tiveram uma entrada forte na segunda parte e, em menos de um minuto, tiveram duas boas oportunidades: Francisco Conceição (49’) e Nico González (50’).

O problema, é que o FC Porto já estava com velocidade a mais para as curvas e contracurvas de Arouca. E bateu de frente com a qualidade do Arouca. Sem negar a oportunidade de aproveitar o espaço dado pelos “dragões”, a equipa de Daniel Sousa atacava com o talentoso trio de ataque espanhol e, depois de Mujica e González, foi Jason a deixar a sua assinatura: o “10” trocou os olhos a Fábio Cardoso e fez mais um golo de enorme qualidade.

Com dois terços cumpridos e dois golos de desvantagem, Conceição ainda foi lançando todas as opções de ataque que tinha no banco (Taremi, Gonçalo Borges, Toni Martínez e Iván Jaime), mas há muito que o FC Porto já parecia ter perdido o seu rumo. No entanto, uma falha na defesa do Arouca ainda permitiu que Francisco Conceição reduzisse aos 87’, mas o golo foi insuficiente para evitar a vitória do Arouca, que mostrou sempre ser uma equipa com cabeça, tronco e membros.

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