Herdeiro da Hermès, de 80 anos, quer deixar fortuna ao jardineiro

Nicolas Puech, que detém 5,7% das acções da casa de moda francesa, está disposto a adoptar o homem de 51 anos e proporcionar-lhe o estatuto de milionário.

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A Hermès tem um volume de negócios anual de 11,6 mil milhões de euros Reuters/Shannon Stapleton
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Durante anos, um homem de nacionalidade marroquina, cuja identidade não foi revelada, tratou do jardim de Nicolas Puech, desenrascando tudo que o patrão lhe pedia: desde o apertar um parafuso a arranjar uma torneira. Agora, este “faz-tudo” pode estar prestes a tornar-se milionário. É que Puech, que não tem filhos e detém uma fortuna avaliada em cerca de dez mil milhões de euros, pretende adoptá-lo e, assim, torná-lo seu herdeiro.

O empresário francês Nicolas Puech descende de Thierry Hermès, que, em 1837, fundou a empresa que, inicialmente, se dedicava a criar arreios e selas para os nobres europeus. É trineto desse visionário e detém, actualmente, 5,7% das acções da casa de moda francesa. A participação chegou a estar prevista passar para a fundação Isocrates, como estabelecido num pacto de sucessão que Puech assinou em 2011. Mas, agora, o milionário mudou de ideias, noticiou o Tribune de Genève.

A Hermès é uma marca de moda de luxo, que conta com a preferência de estrelas internacionais, como Madonna, Nicole Kidman, Julianne Moore e Jennifer Lopez. Com um volume de negócios anual de 11,6 mil milhões de euros, vale 202 mil milhões na bolsa e trouxe prosperidade às sucessivas gerações da família Hermès.

É o caso de Puech que, aos 80 anos, tem uma fortuna avaliada entre nove e dez mil milhões de francos suíços (entre 9,5 e 10,6 mil milhões de euros), segundo a classificação da revista Bilan, o que faz dele um dos homens mais ricos da Suíça, onde reside actualmente.

O Tribune de Genève detalha que o pedido de adopção já tem mais de um ano e que o beneficiário é casado e tem dois filhos. “Na Suíça, a adopção de um adulto não é impossível, mas é pouco habitual”, escreve. Se chegar a bom porto, o jornal suíço estima que o adoptado herde “pelo menos metade” da fortuna de Puech.

Contactada pela agência noticiosa AFP, a fundação Isocrates, que se dedica a proteger e a promover o debate público através de projectos de luta contra a desinformação, admitiu que tinha acabado de tomar conhecimento da vontade do seu até então presidente de anular o pacto de sucessão. Posteriormente, o secretário-geral da fundação, Nicolas Borsinger, considerou a adopção uma “anulação súbita e unilateral de um pacto de sucessão”, lamentando que “as suas actividades de utilidade pública” estejam “ameaçadas”.

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