Problemas com incubadoras põem recém-nascidos em risco no São Francisco Xavier? Hospital desmente

Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal aponta, entre outras falhas, a falta de uma incubadora de transporte de recém-nascidos, numa situação que qualifica como “perigosíssima”.

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Com o encerramento da ginecologia e obstetrícia no Santa Maria, o Hospital de São Francisco Xavier passou a ter um rácio de ocupação de 100% Daniel Rocha (arquivo)

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) alertou nesta terça-feira para as "deficiências de equipamento" e a escassez de enfermeiros no Hospital São Francisco Xavier que, segundo alega aquela estrutura, põem em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados a puérperas e recém-nascidos. Hospital assegura que foram "criadas todas as condições de segurança" para grávidas e bebés e que o problema com uma incubadora de transporte foi "solucionado de imediato".

Em comunicado, o sindicato adianta que, devido às obras que determinaram o encerramento do serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Santa Maria, a obstetrícia do São Francisco Xavier passou a ter um rácio de ocupação de 100%. "O estipulado é uma enfermeira para seis puérperas e seis recém-nascidos, mas o que temos actualmente é uma enfermeira para 10 puérperas e 10 recém-nascidos, com a consequente e indesejável redução da qualidade dos cuidados prestados", adverte o coordenador da região sul do Sindepor, Luís Mós.

A par dos problemas com duas incubadoras/mesas de reanimação que, segundo o sindicato, foram encaminhadas do Hospital Santa Maria para a obstetrícia do São Francisco Xavier, mas acusam uma "fuga de oxigénio, no aspirador e na resistência de aquecimento", o sindicato refere que a incubadora de transporte não funciona, sendo que, já este mês, foi necessário transferir um recém-nascido para o serviço de neonatologia.

"Não havendo incubadora de transporte, foi levado num berço normal, tendo os enfermeiros registado apneias e convulsões", sublinha Luís Mós, sustentando tratar-se de "uma situação perigosíssima para o recém-nascido, que pode sofrer danos irreversíveis". "É impensável um hospital como este ter carências tão graves de equipamento e falta de profissionais numa altura em que é obrigado a ter maior capacidade de resposta devido ao fecho de um hospital vizinho", acrescentou.

Problema com incubadora "solucionado de imediato"

O cenário traçado pelo Sindepor foi, entretanto, desmentido pelos responsáveis do próprio hospital. "Foram criadas todas as condições de segurança e conforto para receber grávidas, puérperas e recém-nascidos nas suas instalações", refere o hospital em comunicado enviado ao PÚBLICO, para garantir que "o rácio de enfermeiros é o adequado nas camas de puerpério e na Medicina Materno-Fetal e Bloco de Partos".

"Os equipamentos de reanimação e as incubadoras de transporte estão em perfeitas condições de funcionamento. O incidente com uma das incubadoras de transporte foi devidamente reportado, tendo sido solucionado de imediato, e complementado com plano de acção preventivo", acrescenta no comunicado o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental a que pertence o São Francisco Xavier.

Em resposta às perguntas enviadas, o Conselho de Administração adianta que "foram adquiridos os CTG necessários para todas as camas de medicina materno-fetal" e que "as mesas e reanimação recebidas, após intervenção inicial, estão em perfeitas condições de segurança e funcionamento".

O Sindepor, no comunicado, adianta que pediu "uma reunião ao conselho de administração do São Francisco Xavier, com carácter de urgência, no passado dia 6 de Outubro", mas até ao momento "não obteve qualquer resposta". O hospital confirma o pedido de reunião e refere que "será brevemente agendado".

Nota: notícia corrigida às 14h43 com o desmentido do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental

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