Rybakina abre novo capítulo em Wimbledon sob o olhar de Federer

A chuva adiou a estreia de Nuno Borges para esta quarta-feira.

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Elena Rybakina Reuters/TOBY MELVILLE
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Não foi fácil o regresso de Elena Rybakina ao court central do All England Club, onde, um ano antes, surpreendeu o mundo do ténis com a conquista do título, quando ainda figurava fora do top 20 do ranking. Agora, com o estatuto de número três na hierarquia mundial, a tenista cazaque faz parte da lista restrita de favoritas ao triunfo, mas uma virose obrigou-a a retirar-se antes de disputar a terceira eliminatória do Torneio de Roland-Garros, no início de Junho, e, desde então, só pôde realizar dois encontros sobre relva, para preparar a defesa do título em Wimbledon. No regresso ao mítico court, os nervos foram muitos e a presença de Roger Federer no camarote real também não ajudou.

“Estava mesmo nervosa e nem consegui escondê-lo; a dupla-falta mostrou-o bem a abrir o encontro”, disse Rybakina ainda no campo, depois de vencer Shelby Rogers (49.ª no ranking), por 4-6, 6-1 e 6-2 – sob o olhar de Federer, que foi alvo de uma homenagem pelos seus oito títulos conquistados, e que se sentou na primeira fila da Royal Box, ao lado da princesa de Gales e patrona do All England Club, Kate Middleton. “Talvez tenha sido por isso que estava nervosa, porque gosto muito do Roger e quando era pequena via-o sempre jogar”, acrescentou a tenista nascida há 24 anos, em Moscovo.

Depois de ceder o serviço no jogo inaugural, Rybakina não enfrentou mais nenhum break-point e terminou como tinha acabado em 2022, com um ténis atacante de enorme eficácia sobre a relva, embora esta tenha sido a primeira vez que jogou sob o tecto fechado.

“No ano passado comecei num court pequeno e fui jogando e sentindo-me cada vez melhor; agora, fui directamente para um grande court. Penso que é um novo capítulo e é uma coisa a que tenho de me habituar”, adiantou Rybakina, autora de 12 ases.

Outra das candidatas e impedida de competir em 2022 por ter a nacionalidade russa, Aryna Sabalenka (2.ª), foi mais expedita e em apenas 62 minutos eliminou a húngara Panna Udvardy (82.ª), por 6-3, 6-1. Também Ons Jabeur (6.ª), finalista no ano passado, venceu em dois sets diante da polaca Magdalena Frech (70.ª), com um duplo 6-3.

No court N.º 1, Carlos Alcaraz assinou 38 winners (incluindo 10 ases) para somar a 41.ª vitória em 2023 e sexta consecutiva sobre relva. A vítima foi o veterano francês Jérémy Chardy que cedeu em menos de duas horas: 6-0, 6-2 e 7-5. Alcaraz é o tenista mais novo desde Novak Djokovic (em 2007) a alcançar a 30.ª vitória em 38 encontros realizados em torneios do Grand Slam – nos últimos 40 anos, só Boris Becker (36 encontros), Mats Wilander e Rafael Nadal (37 cada) chegaram a essa marca em menos oportunidades.

O embate assinalou também a despedida de Chardy do circuito profissional. O francês de 36 anos esteve nos oitavos-de-final em todos os quatro majors, disputou mais de 600 encontros no circuito principal, conquistou um título ATP, uma Taça Davis, somou 12 vitórias sobre adversários do top 10 (incluindo Federer e Andy Murray) e chegou ao 25.º lugar do ranking, em 2013.

A chuva insistente só permitiu que se jogasse durante uma hora nos courts exteriores e, entre as dezenas de encontros cancelados, esteve o que opunha Nuno Borges (69.º) ao argentino Francisco Cerundolo (19.º), re-marcado para quarta-feira, para abrir, às 11 horas, a jornada no court 15.

Entre os poucos vencedores do dia estiveram os britânicos Andy Murray, bi-campeão de Wimbledon, e Cameron Norrie, actual número um do seu país no ranking ATP. O escocês Murray afastou o inglês Ryan Peniston (268.º), por 6-3, 6-0 e 6-1, e Norrie (13.º) venceu o checo Tomas Machac (108.º), por 6-1, 4-6, 6-1 e 6-4.

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