“Morre-se muito de pneumonia” em Portugal. 95% dos óbitos em maiores de 65 anos

Entre 2014 e 2019, morreram por pneumonia 31.026 pessoas em Portugal, com 95% dos óbitos a corresponderem a pessoas com mais de 65 anos.

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Níveis de mortalidade são superiores aos restantes países europeus Paulo Pimenta

A plataforma online Pneumoscópio permitiu, nos primeiros dois anos de funcionamento, chamar a atenção para os "níveis muito altos de mortalidade" provocados pela pneumonia em Portugal, afirmou esta quarta-feira Jaime Pina, da comissão científica do projecto.

"O Pneumoscópio acaba por ser uma ferramenta que está disponível aos investigadores e classe médica e que chamou a atenção para um problema: Morre-se muito de pneumonia em Portugal", salientou à Lusa o vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, uma das entidades promotoras deste projecto.

Os dados da plataforma indicam que, entre 2014 e 2019, morreram por pneumonia 31.026 pessoas em Portugal, com 95% dos óbitos a corresponderem a pessoas com mais de 65 anos.

Em 2014 foram registados 5096 óbitos, com 2015 a ser o ano com mais óbitos neste período (5597), enquanto 2019 foi o que registou menos mortes (4337).

Esta ferramenta foi lançada em 29 de Março de 2021 com o principal objectivo de mapear os internamentos e a mortalidade por pneumonia e por meningite não meningocócica em Portugal continental, constituindo-se como "um observatório" que permite coligir toda a informação oficial sobre estas doenças e depois associá-la a uma base de dados georreferenciada.

Passados dois anos sobre o seu lançamento, Jaime Pina salientou que a informação disponibilizada veio confirmar os "níveis muito altos de mortalidade comparativamente aos países europeus e à média europeia", o que poderá ser atribuído ao elevado índice de pessoas com mais de 65 anos em Portugal.

Os dados "vieram confirmar os números já conhecidos de sermos um dos países da Europa com maior taxa de mortalidade [por pneumonia]. Somos também um dos países da Europa com maior taxa de mortalidade em idosos", adiantou o especialista.

"Ficamos um bocado espantados com a sazonalidade da mortalidade por pneumonia", reconheceu ainda Jaime Pina, ao admitir que isso pode estar relacionado com o facto de "40% das casas portuguesas não terem meios de aquecimento eficazes".

"No inverno é evidente que as condições do frio são favorecedoras das infecções respiratórias", alertou o médico pneumologista.

Além disso, os dados do Pneumoscópio permitiram apurar que, proporcionalmente, "morre-se mais no interior" do que no litoral do país devido a esta doença, adiantou Jaime Pina, que atribuiu esse facto à maior percentagem de população idosa nessas regiões, assim como à maior dificuldade de acesso a serviços de saúde.

"São naqueles distritos mais do interior que a disponibilidade do doente de recorrer aos serviços de saúde é reconhecidamente mais difícil", disse o especialista, ao salientar também que, nos últimos anos, a taxa de vacinação das pessoas com mais de 65 anos é cada vez maior.

A percentagem das pessoas com mais de 65 anos vacinadas contra o pneumococo, o principal agente da pneumonia, "já ultrapassa os 40%, quando há meia dúzia de anos era um número ridículo", disse o vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão.

"Nem que fosse por isso já valeu a pena essa iniciativa", assegurou Jaime Pina.

A pneumonia é uma inflamação dos pulmões, que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos, incluindo vírus, bactérias e fungos.

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