“O que foi e não volta a ser”: uma viagem pelos últimos 100 anos de Macau

O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro desenvolveu um projecto que confronta o passado e o presente de Macau e revela "a mudança arquitectónica [da região autónoma chinesa ao longo] dos últimos 100 anos".

Avenida de Almeida Ribeiro e Largo do Senado ©Gonçalo Lobo Pinheiro
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Avenida de Almeida Ribeiro e Largo do Senado ©Gonçalo Lobo Pinheiro

Ao longo de um ano, o fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro lançou-se numa busca intensiva por fotografias antigas de Macau, a região autónoma chinesa que outrora foi portuguesa e onde reside há mais de 12 anos. O projecto O que foi e não volta a ser..., agora editado em livro e presentemente em exposição no espaço Hold on to Hope, em Coloane, justapõe as imagens do passado, a preto e branco, sobre os mesmos cenários, no presente, fotografados a cores.

O tipo de linguagem fotográfica que aplicou ao projecto não é nova, refere o fotojornalista num comunicado que dirigiu ao P3; é, contudo, uma fórmula primeira vez aplicada a Macau, o que lhe confere alguma frescura. As fotografias antigas, que datam de período compreendido entre 1930 e 1990, foram adquiridas "em leilões, na Internet, junto de particulares, em lojas" macaenses e portuguesas. "Poucas me foram dadas ou emprestadas", refere. Foi uma missão "difícil", assume.

Macau mudou muito nos últimos anos, conta o fotógrafo, em entrevista ao P3. "Aliás, desde 2010, o ano em que cheguei, que mudou. Há coisas que não existem ou paisagens onde já não é possível obter pontos de contacto com o passado." Por esse motivo, muitas das mais de 100 imagens que recolheu ficaram de fora do projecto, que integra 40 fotografias. Apesar de Gonçalo não ter conhecido o território antes de 2010, sabe que "a grande mudança aconteceu dos anos de 1980 para os anos de 1990" e que, "depois da transferência de soberania, tudo mudou ainda mais".

O facto de ser um português a explorar o passado de um território que esteve sob soberania portuguesa até 1999 não tem, para Gonçalo, grande relevância. "Nunca elaborei muito sobre o assunto, confesso. Quis fazê-lo, independentemente de ser português e, felizmente, tive um bom feedback por parte da comunidade chinesa que foi ver a exposição, que comprou o livro e me contactou pelos mais diversos canais." Acima de tudo, conclui, "o que me levou a fazer este projecto foi mostrar a mudança arquitectónica de Macau nos últimos quase 100 anos". O que foi e não volta a ser... estará exposto também online, no site Memórias de Macau, da Fundação Macau, que tem em vista a preservação da história e cultura macaenses.

Avenida de Almeida Ribeiro
Avenida de Almeida Ribeiro ©Gonçalo Lobo Pinheiro
Ruínas de São Paulo
Ruínas de São Paulo ©Gonçalo Lobo Pinheiro