Literariamente correcto

Maduro e seguro, um livro de estreia que é um romance literariamente correcto.

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Uma colecção de retalhos, ou histórias, competentemente, e alegremente, cerzidos pelo narrador (certamente a mando do autor) Neusa Aires

Na cinta que vem abraçada à capa deste romance — que é a estreia literária do (também) editor Rui Couceiro (Porto, 1984) — lê-se, entre variados e extremados encómios, que Alberto Manguel o terá lido “numa noite”. Tendo o livro 450 páginas em letra miúda, eu confesso que demorei um pouco mais. Não se veja nesta confissão, aliás dispensável, uma qualquer intenção nossa de relativizar o elogio suposto naquela sôfrega leitura de uma única noite. Pelo contrário. Ele há livros, entretanto, cuja leitura se acomoda melhor a fôlegos vários do que a um só, e cremos ser o caso, justamente, de Baiôa Sem Data Para Morrer, não apenas por causa da sua extensão mas, sobretudo, por causa de uma sua evidente condição estrutural: a de ser uma colecção de retalhos, ou histórias, competentemente, e alegremente, cerzidos pelo narrador (certamente a mando do autor) numa manta discursiva que encontra o seu fio, ou unidade, numa paisagem, a daquele Alentejo dito ‘profundo’, e num tempo que é o do despovoamento (e da morte) da aldeia onde decorre a acção do romance.

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