Max Verstappen “coroado” campeão do Mundo no Japão

Penalização de Charles Leclerc entregou os pontos necessários ao neerlandês, que demorou a acreditar nas notícias e nas contas surpreendentes que lhe conferiram o título.

Foto
Max Verstappen celebrou o bicampeonato em Suzuka Reuters/ISSEI KATO

Max Verstappen (Red Bull) venceu, este domingo, em Suzuka, à frente de Sergio Pérez (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari), sagrando-se campeão do Mundo, apesar de até o próprio neerlandês ter demorado a assimilar a informação e a acreditar nas notícias, quando até parecia absolutamente conformado com o adiamento, para Austin, da decisão do título de pilotos do Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

Tudo porque as contas finais reservaram uma surpresa, ao atribuírem a pontuação total a uma corrida que só por duas voltas atingiu os 75 por cento da duração prevista, quando todos esperavam receber a percentagem dos pontos (supostamente) consagrada nos regulamentos, o que, com a penalização e respectiva queda de Charles Leclerc para terceiro lugar (cortou a meta em segundo), garantiu a revalidação do título a Verstappen.

Com o Grande Prémio do Japão, 18.ª prova do calendário, em Suzuka, fortemente condicionado pelas condições climatéricas, a forçarem à suspensão da corrida durante mais de duas horas, a prova foi reduzida a 28 das 53 voltas estipuladas.

As contas apontavam para um desfecho sem campeão, mas a interpretação dos regulamentos acabou por gerar dúvidas que a FIA não teve, ao considerar que a corrida foi retomada, pelo que só seria aplicada a regra das percentagens caso tivesse terminado com a prova suspensa. Decisão que não foi protestada e que deu a Verstappen o 12.º triunfo da época, cumprindo-se a tradição dos campeões no Japão, com Max a consumá-lo pela 14.ª vez, ainda que de forma surreal.

A verdade é que Leclerc terminou em segundo, mas recebeu uma penalização de cinco segundos que o atirou para o último lugar do pódio, entregando o título sem que ninguém se tivesse apercebido. Mesmo na Red Bull, toda a gente parece ter sido apanhada desprevenida, com festejos relutantes. Face ao regulamento aplicado pela FIA, seria expectável que a Red Bull aguardasse apenas o anúncio da penalização de Leclerc para dar início à festa. Mas foi já depois de Verstappen ter prestado as primeiras declarações que a notícia surgiu.

Antes do golpe de teatro, a corrida fora suspensa na sequência da entrada do “safety car” ainda antes da segunda volta, o que à luz das alterações regulamentares colocava automaticamente em risco a realização da prova caso as condições atmosféricas se mantivessem, evitando-se o ridículo do GP da Bélgica de 2021, concluído sem qualquer volta disputada em situação de corrida.

Sob condições muito difíceis e perante o cenário de iminente cancelamento da corrida, a questão do título parecia, nessa altura, irremediavelmente adiada para o Circuito das Américas, nos Estados Unidos, já que nessas circunstâncias dificilmente seria atribuída a pontuação necessária no Japão.

Mas não foi isso que aconteceu, com o neerlandês a impor-se, a somar 25 pontos e a nem precisar da volta mais rápida. A confusão instalada com o anúncio do título de Verstappen deixou o piloto da Red Bull na defensiva, esvaziando completamente uma festa que merecia outro brilho e uma imagem mais profissional.

A partida do GP do Japão até teve momentos emocionantes, desde logo o melhor arranque do Ferrari de Charles Leclerc, a obrigar Max Verstappen a arriscar mais do que o neerlandês gostaria na primeira curva (por fora) para conseguir manter o comando.

Entre os pilotos da frente, Sergio Pérez (Red Bull) ganhava uma posição a Carlos Sainz (Ferrari), com Esteban Ocon (Alpine) a tentar intrometer-se na luta enquanto Lewis Hamilton (Mercedes) respondia a Fernando Alonso (Alpine), que aguentou o impacto com Sebastian Vettel (Aston Martin) na primeira curva, levando o alemão a rodopiar e a provocar uma bandeira amarela.

Mas seria a saída de pista de Sainz, directa às barreiras, breves instantes depois, a precipitar a interrupção numa altura em que se sucediam incidentes “menores”, sem consequências. A excepção foi Pierre Gasly (Alpha Tauri), que partiu das boxes, a apanhar os destroços do acidente de Sainz. O futuro piloto da Alpine “apanhou” a placa publicitária arrancada pelo Ferrari e, além dos danos na asa dianteira, ficou sem visibilidade.

Forçado a trocar o “nariz” do monolugar, no regresso à pista Gasly teve um encontro súbito com a grua, cuja entrada em acção surpreendeu o francês quando este tentava reagrupar, provocando um grave incidente de segurança que deixou Gasly revoltado. O colégio de comissários, por seu lado, visaria Gasly por desrespeitar a bandeira vermelha.

Para além de Sainz, também Alex Albon (Williams) ficou sem condições de prosseguir na sequência de problemas na unidade motriz. Então, a espera - a caminhar para a primeira hora de interrupção - começava a levantar problemas relativamente às limitações horárias impostas para a conclusão do grande prémio.

Dúvidas adensadas pela intensificação da chuva no preciso momento em que os pilotos se preparavam para retomar a corrida, levando à suspensão do recomeço lançado. Em contagem decrescente, com uma janela de três horas para concluir o grande prémio e de duas para a corrida, a chuva não deu tréguas pelo que os pilotos só voltaram a ser avisados para o recomeço a menos de uma hora do tempo limite, para não defraudar as expectativas dos fãs que animavam Suzuka.

A corrida seria retomada com a imposição de pneus de chuva e com pouco mais de 40 minutos para as grandes decisões, sendo que, no limite, seria possível completar metade das voltas e conseguir metade da pontuação, o que até foi superado por duas voltas.

Com a pista a evoluir, bastaram cinco minutos para a corrida aos pneus intermédios, tendo Vettel e Nicholas Latifi (Williams) - que pontuou pela primeira vez - arriscado primeiro, colhendo os respectivos dividendos. Fernando Alonso e especialmente Mick Schumacher (Haas) mantiveram-se em pista e pagaram o preço, com o espanhol a perder para Vettel e Schumacher a cair para último para terminar em penúltimo.

Verstappen aproveitava para distanciar-se de Leclerc, que lutava com a degradação dos pneus, ao ponto de equacionar nova ida às boxes, o que colocaria o título de campeão à disposição do neerlandês. O monegasco não arriscou e acabou muito pressionado por Sergio Pérez, tendo mesmo tido uma saída fatal de pista na chicane antes da meta... recuperando a posição, apesar de no final ter percebido que esse foi o momento crucial que levou à penalização e ao título do rival da Red Bull.

Sugerir correcção
Ler 3 comentários