James Nachtwey: “Nunca vi nada tão cruel como o que vi em Bucha”

O sentido de reportagem corre nas veias de James Nachtwey. Aos 74 anos, um dos mais aclamados fotojornalistas de sempre foi para a guerra na Ucrânia fazer aquilo que sempre fez — testemunhar, para que “o mundo saiba o que está a acontecer”. Parte desse testemunho pode ser visto agora em Coimbra.

Foto
Sérgio Azenha

James Nachtwey fala baixo. E o discurso sai-lhe de maneira linear, ponderada, com raríssimas oscilações no tom de voz. Fala como quem já viu muito e como se já não se deixasse impressionar com qualquer coisa. Mas assim que entra na nave do antigo refeitório do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde estão expostas dez fotografias que tirou na Ucrânia nas primeiras semanas após a invasão da Rússia, o olhar do fotojornalista norte-americano percorre o espaço e começam a sair-lhe adjectivos da boca. “It's beautiful​!...” Levanta a cabeça em direcção ao tecto abobadado e depois olha para as paredes de azulejos de losangos azuis e brancos, à frente dos quais se mostram as suas imagens de guerra.

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