A imaginação afrofuturista de Nicole Mitchell

Com dois concertos a solo, na 20ª edição do Jazz ao Centro, a 5 de Outubro, em Coimbra, e a 6 no OUT.FEST, no Barreiro, a flautista ligada à AACM e uma das mais criativas vozes do jazz actual defende a “imaginação como o maior dos atributos humanos”.

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Michael Jackson

Para Nicole Mitchell, não existem concertos a solo. Muito embora, em termos formais, essa seja uma prática que desenvolve desde 2003 – a de subir a um palco apenas com a sua flauta ou, mais recentemente, acompanhada também de algumas ferramentas electrónicas –, a música norte-americana entende que nunca actua verdadeiramente a solo. Porque à sua volta há sempre pessoas, sentimentos específicos daquele dia para digerir e aos quais reagir, sons do ambiente que disputam a paisagem sonora com a sua música, todo o tipo de elementos que criam, mesmo que de moto acidental, uma interacção e lhe proporcionam uma forma de diálogo. Por isso, embora a sua presença no 20º Jazz ao Centro (a 5 de Outubro, no Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra) e no OUT.FEST (a 6, na SIRB “Os Penicheiros”, Barreiro) esteja anunciada como um concerto a solo, essa necessidade de desencadear uma conversa estará, certamente, presente. Porque até mesmo quando começou a aprender improvisação, recorda em conversa com o Ípsilon, tocando na rua, começou por “tocar animações de cada pessoa que passava”.

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