Menino Júlio e Strindberg a dançar no abismo

É uma peça? É um filme? É Finalmente Menino Júlio, uma recontextualização do clássico de Strindberg em que Joana Cotrim, Pedro Sousa Loureiro e Marta Sousa Ribeiro trocam o género às personagens. De 7 a 17 de Setembro, nas Carpintarias de São Lázaro.

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Numa das mais deliciosas cenas da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard filma em Une Femme Est Une Femme uma discussão conjugal entre Anna Karina e Jean-Claude Brialy em que, para não romperem o silêncio com que querem castigar o outro, os dois se insultam e discutem mostrando-se títulos (mesmo que incompletos ou transformados) dos livros que recolhem das prateleiras do seu apartamento. Finalmente Menino Júlio, a peça em que Joana Cotrim (com Pedro Sousa Loureiro e Marta Sousa Ribeiro) reimagina o clássico de Strindberg Menina Júlia, tem uma origem semelhante: o recurso aos livros para, no caso, estancar discussões domésticas, pelo menos enquanto durava a leitura de uma peça de teatro em que a actriz e o companheiro trocavam os papéis femininos e masculinos dos textos.

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