Uma questão de telegenia

Resumidos à condição de consumidores, temos vindo a limitar a nossa ação climática a gestos de consumo sustentável, como deixar de comer carne, esquecendo que nos sobra agir também como cidadãos, dotados de agenciamento político.

Em Manual de Combate às Alterações Climáticas, o autor, João Camargo, trabalha sobre modelos de clima criados por Pedro Matos Soares e Rita Cardoso, investigadores da Faculdade de Ciências, e modelos da Climadapt, que, tendo por base o rumo das emissões de carbono, identificam cenários específicos por região do país até ao fim do século XXI. Eis algumas das previsões. Guimarães perde de 11 a 20 dias de chuva por ano e o verão aumenta de 20 a 46 dias. No Porto haverá mais 43 a 80 dias de verão e a precipitação reduz-se em 12 a 16 dias por ano. Ílhavo e Ovar serão inundadas ao longo dos anos e acabarão submersas. No Alentejo, temperaturas elevadas farão com que durante os meses de verão seja perigoso sair à rua ou trabalhar em zonas não refrigeradas. No Algarve, os ventos do Sul aumentarão a frequência de ondas de calor e a ria Formosa será submergida pela subida do nível médio do mar. São cenários terríveis, aplicados de forma concreta a zonas do país de que gostamos tanto.

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