Um bosque encantado e um moinho para dormir à beira-rio

A Quinta da Chouza, em Celorico de Basto, é uma propriedade pequena, mas cheia de encanto, com vinhas, várias árvores de grande porte, um ribeiro e dois antigos moinhos transformados para o turismo. Descanso e hospitalidade são garantidos.

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As vinhas da Quinta da Chouza convivem com um bosque e um ribeiro ladeado por dois moinhos transformados para o agro-turismo. Jose Sergio / PUBLICO

As vinhas convivem com um belíssimo bosque – com carvalhos, sobreiros, cedros-do-Atlas, faias e liquidâmbares –, uma “pequena horta, com mil metros quadrados”, e um ribeiro, ladeado por dois moinhos transformados para o agro-turismo. O curso de água foi reestruturado há uma vintena de anos por Francisco Paulo Oliveira e hoje existe ali uma agradável praiinha, junto a uma queda de água “construída”. Um barco convida a provar o vinho da quinta com os pés mergulhados na água e há ainda um baloiço que divide uma ilhota com um plátano e um choupo.

As sombras do tal bosque fazem que a produção da parcela de trajadura do outro lado do ribeiro seja menor, mas o engenheiro agrónomo recusa tocar naquelas árvores. E faz bem. Elas dão outro encanto à estada na Quinta da Chouza, onde a recepção é feita por Francisco, pela esposa Helena e pelos seus dois filhos, Gabriela e Nuno, quando estão por casa, nas pausas da universidade.

Viticultor, adegueiro e, às vezes, enólogo

“Há uns 23 anos, ainda solteiro”, resolveu investir na sub-região de Basto e comprou a propriedade, que “tinha vinha de bordadura, mas estava abandonada”. “O meu pai era agricultor, feitor de várias propriedades. Éramos muitos filhos, só eu é que fiquei na área”, conta. Na última década, pôs em prática aquilo que, como consultor em projectos de investimento, aconselhava aos seus clientes – e ensinava em acções de formação. À boleia dos fundos comunitários, plantou há oito anos vinha nova – a tal trajadura, mas também arinto, alvarinho e um pouco de azal. Este ano, acrescentou ao portefólio a padeiro, alargando a área de vinha, que ocupa 2,2 dos 5,4 hectares da propriedade.

Francisco é formado em Engenharia Agro-Pecuária na Universidade de Coimbra, chegou a estudar Enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, mas não concluiu. Essa bagagem ajudaria a construir o presente: além de gerir a quinta, faz as vezes de viticultor, adegueiro e às vezes enólogo, assessorando o amigo Rui Coutinho, a quem entregou a enologia. Os dois fazem os vinhos em conjunto.

Ainda mantém como ocupação principal a consultoria, mas a quinta com vista para o Monte Farinha, onde fica a ermida de Nossa Senhora da Graça, exige-lhe cada vez mais tempo e dedicação. A próxima obra será a ampliação da adega para criar espaço para a produção de espumante, branco e rosé, que pretende que em velocidade de cruzeiro seja de 4000 garrafas.

São quatro, para já, as referências Vinho Verde DOC produzidos sob a marca Chão do Rio, três brancos e um rosé. Dois são monocastas, arinto e padeiro, e dois são blends, arinto/trajadura e alvarinho/trajadura, num trabalho que deita mão às castas características da sub-região de Basto, mas também experimenta com outros perfis.

Francisco Oliveira, Quinta da Chouza (Celorico de Basto) José Sérgio
Quinta da Chouza (Celorico de Basto) José Sérgio
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José Sérgio

Copo na mão, pés no rio

Os vinhos podem ser provados na enoteca e na sala de provas que nasceu já em 2021. As provas começam nos 15 euros por pessoa e podem incluir actividades nas redondezas, em parceria com empresas locais, como rafting e canyoning no Tâmega ou o Trilho dos Miradouros.

No agro-turismo, a funcionar há seis anos, há três quartos na casa principal, onde Francisco mora com a família, e duas casas instaladas nos antigos moinhos. Cada uma com a sua cozinha de apoio, no exterior, num telheiro.

Os quartos da casa principal só são alugados a grupos ou famílias. Com dois quartos ocupados, anulam o terceiro. Não misturam hóspedes nesta zona da quinta, onde há piscina, uma cozinha de apoio aos quartos, também no exterior, e um espigueiro que intriga os visitantes estrangeiros.

Os quartos e os moinhos – Moinho Gabriela e Moinho Nuno – podem albergar um casal e dois filhos até aos 12 anos e os preços começam nos 60 euros por noite, com duas noites de estada mínima (ou cinco, em fins-de-semana ou época alta).

Na piscina ou no ribeiro que corre lá em baixo, saberá bem arrefecer do calor de pés mergulhados na água e com um copo de vinho na mão.

Quinta da Chouza
Rua Travessa do Tornadouro, 146, Fermil de Basto (Celorico de Basto)
Tel.: 914002657
Web: instagram.com/quintadachouza
Visitas e provas: desde 15 euros por pessoa (por marcação)
Quarto duplo a partir de 60 euros por noite


Este artigo foi publicado no n.º 5 da revista Singular.

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