Uma missiva do cinema brasileiro nos anos Bolsonaro

Desterro é uma ficção esquinada, quase experimental, à sombra de Antonioni, missiva de um cinema brasileiro que continua activo e apaixonante.

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Um enigma entregue ao espectador para resolver
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É inevitável olhar para Desterro como mais uma “missiva” do cinema brasileiro nos anos Bolsonaro — o próprio filme de certo modo o reivindica, num cartão de abertura onde explica ter sido feito ao abrigo de políticas culturais entretanto desaparecidas. No entanto, é redutor entendê-lo apenas a esse nível: inscreve-se numa linhagem de cinema “novo” na qual reconhecemos nomes como Juliana Rojas, Anita Rocha da Silveira, Marco Dutra, André Novaes Oliveira, Gabriel Mascaro ou Caetano Gotardo. Alguns destes nomes colaboraram com a realizadora e argumentista Maria Clara Escobar — Juliana Rojas montou-lhe a longa de estreia, o curioso documentário de 2013 Os Dias com Ele, e Caetano Gotardo colaborou no argumento de Desterro, segunda longa da cineasta, onde Grace Passô, actriz-fetiche desta geração, tem um pequeno papel.

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