Arquitectura

No coração de Belém, de um caminho de “surpresas”, nasceram as Moradias Galvão, bordadas a azulejos

As Moradias do Galvão foram restauradas pelo atelier Cais, que procurou preservar os elementos tradicionais dos edifícios, aliando-os a um toque de modernidade.

©Francisco Nogueira
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Localizado no coração de Belém, em Lisboa, um lote de habitações sofreu agora uma requalificação às mãos do atelier Cais, mas a história do gabinete com as Moradias do Galvão já é antiga.

“Tivemos um projecto vizinho [na área] e, na altura, o lote chamou-nos bastante à atenção, porque tem uns azulejos muito bonitos. Soubemos quem era o proprietário e houve um cliente que veio ter connosco à procura de lotes naquela zona. Nós encaminhámo-lo para o antigo proprietário e ele acabou por adquiri-lo”, diz Guilherme Bivar, arquitecto e um dos sócios do atelier Cais.

A partir daí, o arquitecto, juntamente com a sócia, Marta Pavão, assumiu a missão de restaurar as habitações, típicas de um tradicional bairro lisboeta. Guilherme explica que a ideia inicial era fazer três habitações, obedecendo à estrutura original do lote – “uma casa maior”, “uma mais pequenina” e um armazém.

Porém, à medida que começaram “a projectar e a desenhar”, viram o “potencial do edifício" para ter "mais um piso e um aproveitamento em sótão”, para além da construção de uma “quarta facção”. “O primeiro andar e o sótão foram um acrescento à estrutura original. De certa forma, o edifício está dividido em duas intervenções: uma de requalificação e de ampliação da preexistência e outra, que é o último lote, de construção nova, mas depois fica tudo enquadrado na mesma estrutura”, explica Guilherme Bivar.

O armazém, por seu turno, foi "completamente abaixo". "Tudo o resto mantivemos, [incluindo] o alçado de um piso só”, diz Guilherme, referindo a importância de preservar os azulejos que ornamentam a fachada do lote, “por causa de todo o seu historial”. O arquitecto destaca ainda o letreiro em azulejo onde se lê “Vinho e tabacos”, característico de um dos edifícios.

Quando se recupera um edifício, diz, “há sempre desafios que vão acontecendo, sem se contar”. Para o arquitecto, o “diálogo com a Câmara” e a “singularidade do lote” revelaram-se como duas questões a enfrentar, para além da responsabilidade de mostrar “uma proposta interessante” ao cliente. “Como estamos a manter algo, só dá para perceber [esses desafios] em obra. As paredes existentes, alguns elementos que já existiam no interior, todo o projecto foi um constante desafio. Vamos tendo surpresas ao longo do caminho.”

Texto editado por Amanda Ribeiro

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