Artéria: um projecto jornalístico para tomar o pulso a Lisboa

Em 2022 vai nascer um projecto comunitário dedicado a Lisboa, com o cunho do PÚBLICO. Em jeito de antecipação, uma série de iniciativas dá à cidade um gosto do que aí vem – e lança o convite para participar. Dois passeios guiados por lojas históricas marcam o pontapé de saída, a 18 de Dezembro.

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Filipa Fernandez

No centro das atenções, Lisboa e os lisboetas: em 2022, virá para a rua um novo projecto com a marca do PÚBLICO e apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Artéria é o nome desta iniciativa de informação comunitária que assenta na descoberta e no debate sobre a cidade e quem a habita – e viverá tanto no meio digital como num jornal impresso de distribuição mensal.

“Os jornais e o jornalismo, na definição de [o jornalista e pensador] Jeff Jarvis, devem ser pontos de encontro da comunidade, favorecendo as conversas construtivas em relação a problemas, soluções ou inquietações comuns”, sublinha David Pontes, director-adjunto do PÚBLICO e responsável pelo pelouro dos projectos editoriais. Sobre o Artéria, adianta, “não vamos criar um site de notícias, apesar de o projecto ser coordenado por jornalistas e estar integrado no jornal. Estamos apostados em criar algo que tenha mais o ritmo, o pulsar e o sentir de uma ‘revista’.”

O leque de temas abordados é tão vasto como a cidade, abrangendo a fotografia, o urbanismo, a arquitectura, os projectos de cidade, a participação cívica, a história, o património. Esses mesmos temas serão também a âncora de uma série de iniciativas de arranque apostadas em disseminar o Artéria junto da comunidade e em angariar cidadãos interessados em fazer parte do projecto. “O que vier a ser o Artéria vai depender muito do que os voluntários – porque este é um projecto baseado no voluntariado – vierem a fazer dele”, explica David Pontes.

Paulo Ferrero, fundador do Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa, será o cicerone dos percursos guiados que marcarão o arranque do projecto Artéria. (Fotografia de arquivo, 2010) Enric Vives-Rubio
O percurso entre o Rato e o Chiado inclui a Caza das Vellas Loreto, fundada em 1789 e descrita no website Lojas com História como a loja "que há mais tempo se mantém no mesmo local, na mesma família, e a vender o mesmo produto". Daniel Rocha
Os cafés e as histórias da casa A Mariazinha, que ali está desde 1957, são parte do roteiro por Alvalade. Miguel Manso
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Enric Vives-Rubio

Montras com histórias: roteiro de lojas de carácter e tradição

A primeira iniciativa de contacto com a comunidade acontece no próximo sábado, 18 de Dezembro, com dois passeios guiados por lojas históricas de Lisboa. Estas visitas, de participação gratuita, serão guiadas por Paulo Ferrero, fundador do Círculo das Lojas de Carácter e Tradição (CLCT).

O tema não é de escolha fortuita. Se, por um lado, veicula a urgência de preservação do património e da alma da cidade, por outro é um exemplo da tenacidade da sociedade civil lisboeta. Paulo Ferrero, que também ajudou a fundar a associação Fórum Cidadania LX, orgulha-se do trabalho feito pelo CLCT, nascido com o “primeiro objectivo de empurrar a câmara para fazer alguma coisa de estruturado e oficial para essas lojas de carácter e tradição”. A rede nasceu formalmente em 2015, “umas semanas antes de a câmara lançar [o programa] Lojas com História” e, no espaço destes oito anos, chegou a atingir 52 membros activos. “Entretanto, umas lojas foram transformadas, outras fecharam para sempre”, lamenta Paulo Ferrero. “A nossa razão de ser é a preservação do espaço físico e da antiguidade da loja, duas coisas interdependentes”, resume, adiantando que, para pertencer ao círculo, as lojas têm de ter um mínimo de “50 anos de vida”.

Para estes dois roteiros de que será cicerone, Paulo Ferrero traçou um percurso que privilegie a “proximidade no bairro” e permita “fácil acesso pedonal”, com um olho nas “potenciais compras de Natal”. “Se não contribuirmos – uma caneta na Sinfonia, um pacotinho de café [numa loja da especialidade], uns sapatinhos de vez em quando –, as lojas, sem clientes, vão-se abaixo.”

Os roteiros têm, cada um, duração de duas horas, tempo suficiente para viajar nas histórias de seis lojas, a maioria delas membros do Círculo. O primeiro percurso terá lugar no bairro de Alvalade, a partir das 10h, com o Mercado de Alvalade como ponto de partida. De tarde, o passeio andará entre o Rato e o Chiado, com arranque às 15h na Livraria Almedina, “um espaço único, que ainda tem muito do atelier-oficina do Ricardo Leone”.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia por e-mail (secretariado@publico.pt, com o assunto “Artéria lojas históricas”), e está limitada a 20 participantes por percurso.


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