Mães com filhos ocupam casas: “Se fazemos isto, é porque estamos desesperadas”

Mães com filhos sem sítio onde morar ocuparam casas de habitação social em bairros de Lisboa ou Loures que estavam vazias, algumas prestes a ser demolidas, outras que estavam fechadas há anos. Há quem viva em caves sem casa de banho. O dilema de quem sabe estar ilegal, mas vive com medo que a polícia apareça: “Vou com os meus filhos para onde? Debaixo da ponte?”

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Patricia foi despedida quando teve a filha, não tinha contrato

Grades a tapar as ruas, polícia municipal à entrada do bairro. Janelas e portas emparedadas com tijolos. Está escuro dentro destas casas baixas geminadas, de dois andares, que se distribuem pela zona de alvenaria do Bairro Padre Cruz, em Carnide, Lisboa. Não há vidros, a pouca luz que existe vem das frechas que deixam passar claridade entre tijolos. Natália de Sousa acordou uma noite destas com a impressão de ouvir retroescavadoras. “Deve ter sido o balde do lixo”, diz, para exemplificar como tem andado em sobressalto. 

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