A Noite Sangrenta. Como há cem anos a República se suicidou

Numa noite há cem anos, a República afundou-se em violência. O primeiro-ministro, o herói da Rotunda do 5 de Outubro, o comandante que liderou a revolta na Marinha na mesma data, mais dois oficiais destacados e um motorista foram assassinados sem uma lógica aparente. A “camioneta fantasma” e as suas execuções pesaram como chumbo num regime à beira do abismo.

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A manhã de 19 de Outubro de 1921 começou com mais uma das insurreições a que Lisboa já estava habituada. Cerca de sete mil homens da Guarda Nacional Republicana tomaram posição na Praça do Marquês, a Rotunda de todas as revoltas, enquanto marinheiros ocupavam o Arsenal, Alcântara e várias embarcações. Desde a noite anterior que pelas ruas circulavam também civis armados. Às sete horas, as forças estacionadas na Rotunda cumpriram o ritual e fizeram troar os canhões, obtendo do Tejo a resposta do couraçado Vasco da Gama. A revolução estava declarada e pelas duas da tarde o presidente do Conselho, o liberal António Granjo, impotente, apresentava a demissão da chefia do Governo. A revolução tinha vencido sem uma gota de sangue.

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