Cartas ao director

Eleições autárquicas e reposição das freguesias

Com a reforma das freguesias, promovida pelo Governo do PSD-CDS em 2013, houve uma clara redução da participação democrática das populações na gestão dos seus povoados. Parece-me que nem o poder central nem o poder local se preocuparam com esta redução da participação democrática das suas populações. Já não contactam os seus eleitos da mesma maneira como quando tinham a sua freguesia à sua porta. 

O atual Governo fez aprovar uma nova lei-quadro de criação de freguesias, em que estas questões, fundamentais, foram esquecidas. Hoje, quer nos meios rurais, quer nos meios urbanos, as eleições de quatro em quatro anos são o único exercício dos direitos democráticos das populações. É a pobreza absoluta da democracia no nosso país. É verdade que as pessoas podem deslocar-se aos órgãos autárquicos e participar. Pela experiência acumulada ao longo dos anos, desde 2013, os órgãos autárquicos deixaram de fazer reuniões descentralizadas, impedindo assim a participação da população. É pena que as populações não penalizem com o seu voto aqueles que “democraticamente” lhes estão a roubar a democracia, ou não será?

Mário Pires Miguel, Reboleira

Um mundo melhor

A saída de Angela Merkel encerrou um ciclo de dezasseis anos. Um facto evidente que, na minha perspetiva, terá impacto na Alemanha e na Europa doravante. Porém, neste contexto e em termos de avaliação, se para alguns a chanceler alemã não constituiu um acelerador de integração em determinadas ocasiões, não foi para os demais também um travão. Na verdade, manteve a União Europeia (UE) e resgatou-a em momentos de crise e dúvida existencial. Mas, passado esse tempo, urge reconhecer que a UE não está carente de novas instituições ou de tratados, mas de reencontrar o seu propósito: solidariedade e igualdade entre os seus Estados-membros. E, assim sendo, afirmar-se como uma potência com capacidade de promover um mundo melhor. Algo sensato e compreensível, embora seja premente apagar ao longo deste rumo que pretendemos duas palavras: resignação e a subserviência.

Manuel Vargas, Aljustrel

(In)Competentes

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, agiu de forma incorrecta e precipitada quando exonerou o Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Mendes Calado, e ao fazê-lo da forma que o fez, criou uma situação demasiado triste e que o vice-almirante Gouveia e Melo não merecia de todo. Por que é que os políticos não seguem o exemplo de competência, rigor, capacidade de análise e de decisão que Gouveia e Melo lhes deu durante meses? Aprendam rápido, senhoras e senhores que exercem política, porque depois do sucesso da vacinação, a exigência dos portugueses perante quem faz parte do Governo, e não só, será muito maior, porque ficou demonstrado que só os competentes conseguem levar as coisas a bom porto. Cravinho situa-se, agora, no extremo dos incompetentes.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

A autoestrada da água

É de reconhecimento geral que as alterações climáticas estão a afetar gravemente as condições de vida na terra. Não podemos fugir para outro planeta, temos de permanecer onde estamos e criar as melhores condições de sobrevivência para seres humanos, animais e plantas. A água fonte de vida é um bem cada vez mais escasso e há quem advogue que vai ser uma das causas de conflitos futuros.

Nós, em Portugal, já sabemos o que é a falta de água em anos de pouca pluviosidade. Os três grandes rios que partilhamos com Espanha — Douro, Tejo e Guadiana — nascem todos naquele território e quem controla os caudais são os nossos vizinhos de quem ficamos sempre dependentes. Como normalmente chove mais no Norte de Portugal do que no Sul, e na serra da Estrela também há sempre muita pluviosidade, as barragens a norte e no Mondego não conseguem armazenar toda a água dos caudais. A maior parte segue o seu curso até ao mar.

O que ponho à consideração dos nossos governantes, e de quem tem poder de decisão no país, é que estudem a possibilidade de construir uma conduta de água de interligação de todas as bacias hidrográficas do rio Minho ao Guadiana a que eu chamaria uma autoestrada de água. A água a mais no Norte seria bombeada para o Sul e vice-versa. Seríamos mais autossuficientes e não ficávamos tão dependentes de Espanha. Vem tanto dinheiro de Bruxelas, não dará para custear uma obra destas? Gostava de deixar água e oxigénio de qualidade aos meus bisnetos.

Leandro Anselmo, São Domingos de Rana