Medina perdeu mais votos do que Moedas ganhou

A câmara de Lisboa era liderada pelo PS desde 2007, data em que António Costa recuperou a autarquia ao PSD. Agora, a autarquia da capital volta à direita, depois de Fernando Medina ter perdido cerca de 26 mil votos face a 2017.

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Fernando Medina não conseguiu a sua recondução para um segundo mandato em Lisboa Nuno Ferreira Santos

Nas palavras de Fernando Medina, o resultado eleitoral de Lisboa foi “uma indiscutível vitória pessoal e política” do social-democrata Carlos Moedas, que encabeçou a coligação vencedora. Mas se foi uma vitória de Moedas, também para Medina a derrota foi “pessoal e intransmissível”, como o próprio admitiria.

Os números mostram que há mais para saber quando se procura saber quem ganhou e quem perdeu. Afinal, foi Medina quem perdeu a liderança da capital ou Moedas que a conquistou? A coligação encabeçada por Moedas conseguiu 34,25% dos votos, enquanto a lista liderada por Medina não foi além dos 33,3%, o que representa uma diferença de aproximadamente 2300 votos. E se Fernando Medina perdeu 25.168 votos face à 2017, Carlos Moedas acrescentou apenas 2801 votos em comparação com a votação conjunta das candidaturas que PSD e CDS tiveram há quatro anos. 

A desmobilização de votos socialistas ficou clara no número de freguesias lisboetas que passaram para o PSD, entre as quais Alvalade, Arroios e Avenidas Novas (Campo de Ourique, cujo candidato era Pedro Costa, filho de António Costa, manteve-se PS por uma diferença de apenas 25 votos).

Em 2013, António Costa tinha vencido a presidência da câmara de Lisboa com 50,91% dos votos. Quando Fernando Medina se candidatou pela primeira vez à presidência, já depois de ter assumido as funções de António Costa, venceu com 42% do total de votos. Agora, Medina levou uma nota negativa dos eleitores, perdendo nove pontos percentuais face aos resultados de 2017.

Tendo em conta a comparação por freguesia entre os resultados de 2017 e 2021, Medina teve o melhor desempenho na Ajuda, onde acabou por ficar 4,8 pontos percentuais aquém de há quatro anos, enquanto na subida mais expressiva de Moedas, o social-democrata assegurou, no Lumiar, mais 4,5 pontos do que em 2017. Já na pior prestação, o socialista perdeu 12,9 pontos no Lumiar, sendo que o pior registo de Moedas foi bem mais contido (-1,1 pontos em Marvila). 

Os números mostram também que houve uma transferência de votos dos socialistas para a candidatura da CDU, encabeçada pelo comunista João Ferreira. Ao contrário do BE, João Ferreira não esteve no executivo de Medina durante o último mandato, conseguindo aumentar o voto da CDU em todas as freguesias lisboetas, com excepção da Ajuda.

Foi essa também, aliás, a narrativa assumida pelo secretário-geral socialista, que resistiu em atribuir a perda de votos ao mérito da direita. “Nos números que vi até agora não vi um grande reforço em relação à votação que o CDS e o PSD tiveram nas últimas eleições, o que vi foi o reforço muito significativo da CDU, por exemplo aqui em Lisboa. Os votos que foram transferidos do PS destinaram-se a reforçar a CDU”, concluiu.

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