Cartas ao director

Pobre Poder Local

Todos dizem que tu, Poder Local Democrático, és uma das maiores conquistas do 25 de Abril, mas, quando é o teu tempo, esses que te consideram um grande conquista de Abril esquecem-te totalmente, substituindo-te pelo poder centralizado do governo. Eu, que continuo a considerar-te uma jóia da nossa democracia, sinto as tuas dores quando os líderes dos partidos, em vez de falarem de ti, te escondem e dão todo o palco ao governo.

Então quando aparecem as câmaras das televisões, os líderes dos partidos esquecem que estão na campanha para as eleições autárquicas e falam como se estivessem na campanha para as eleições legislativas. Não desmotives, Poder Local, tu vales muito mais do que os líderes políticos que não te dão o palco que mereces.

Acácio Alferes

PS ganhará autárquicas mas sem Costa vale metade

O PS deverá ganhar as eleições autárquicas, mas será uma vitória de Pirro, porque sem António Costa vale metade. O futuro sorri mais ao PSD, dado que Paulo Rangel, o líder provável, é incomparavelmente melhor do que qualquer dos potenciais candidatos à sucessão de Costa. Se Passos Coelho foi a austeridade e Rui Rio a pandemia, Rangel poderá evitar a mexicanização do país, colocando o PSD num lugar mais consentâneo com a sua valia política. Cremos bem que o nosso povo está farto da governação do PS, que, adulterando o socialismo, sua raiz ideológica, tem estado ao lado dos grandes, prejudicando os pequenos, ao mesmo tempo que os portugueses estão enxemeados com salários de fome e pensões de miséria, de que não faltam exemplos, a começar pelo meu. Tornar Portugal mais justo, mais igual e mais fraterno é o grande desafio que se coloca ao sociais-democratas.

Simões Ilharco, Lisboa

Candidatos

No último domingo, o programa televisivo “Isto é gozar com quem trabalha” mostrou a quem assistiu dois candidatos autárquicos do partido Chega. Um à Câmara Municipal da Covilhã, outro à de São Brás de Alportel. A pobreza do discurso, a falta de uma ideia que faça sentido, o destrambelhamento absoluto destes candidatos, arrepiam o cidadão menos exigente.

André Ventura surge em todos os cartazes de propaganda do partido seja a Norte, no Centro ou no Sul, como se fosse ele quem vai a votos em todo o território nacional; os candidatos são figuras de papel, perfeitamente descartáveis (Nuno Graciano presidente da câmara de Lisboa? A sério?). Ventura tem afirmado que a vitória do Chega nestas eleições será atingir o terceiro lugar em número de votos. Tem-se gabado de apresentar candidatos em mais autarquias que o Bloco de Esquerda tentando passar a ideia de que o Chega é um partido implantado em todo o Portugal. Tendo como referência os citados candidatos é penoso imaginar como serão “seleccionados” e de que modo articularão os seus programas eleitorais (partindo do princípio que existem) com as necessidades e anseios das populações.

O Chega quer ser como a galinha, voto a voto pretende encher o papo nem que para isso apresente candidatos que irão recolher apenas os boletins de voto de familiares e alguns amigos. Um aqui, outro acolá, feitas as contas Ventura espera ter um número de votos que lhe permita inventar uma vitória qualquer. Ao contrário do que vai gritando aos sete ventos, o Chega é igualzinho aos outros partidos mas parece ignorar que a qualidade de um partido infere-se pelos candidatos que apresenta aos actos eleitorais.

Rui Silvares, Cova da Piedade

Segurança Interna

Tem sido frequente ouvirmos falar de que os números da criminalidade têm vindo a baixar, tendo em conta o famigerado Relatório Anual de Segurança Interna, quando na verdade os mesmos não correspondem à verdade, se tivermos em conta que os órgãos de comunicação social, todos os dias noticiam a ocorrência de assaltos, homicídios, atropelamentos com fuga, entre outros, o que vem confirmar que os números não reflectem a triste realidade a que assistimos diariamente.

Se tivermos em conta que existem sociedades onde a realidade é bem pior do que a nossa, talvez isso nos sirva de consolo, mas não nos deveria deixar descansados quando a crise pandémica se reflecte no comportamento humano, e a qual tem sido apontada como a causa que tem potenciado o aumento dos números da criminalidade, onde até os agentes da autoridade são assaltados e maltratados.

A ideia que subsiste é que quando não existe grande motivação por parte dos elementos das forças de segurança, nem meios suficientes para que estes possam executar a sua missão, há que mascarar os números para que fiquemos com a ideia errada sobre os mesmos, quando a realidade é bem diferente estando aos olhos de todos a forma como se mente aos cidadãos.

Américo Lourenço, Sines