Borrell reúne ministros da UE para analisar “consequências” do acordo AUKUS

Assembleia geral da ONU: líderes europeus vão a Nova Iorque recordar o valor do multilateralismo, mas também defender a sua autonomia estratégica.

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Josep Borrell vai discutir com os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco as “implicações e possíveis consequências” do AUKUS OLIVIER HOSLET/EPA

O alto representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell, vai discutir com os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco as “implicações e possíveis consequências” da assinatura da nova aliança de defesa entre a Austrália, os Estados Unidos e o Reino Unido, nesta segunda-feira, à margem da primeira sessão da assembleia geral da ONU, em Nova Iorque.

Segundo um porta-voz da Comissão Europeia, a reunião informal dos governantes europeus em Nova Iorque já estava agendada, mas tornou-se mais premente por oferecer uma “primeira oportunidade” para os aliados discutirem a decisão que enfureceu o Governo de Paris e apanhou Bruxelas de surpresa.”O anúncio foi feito sem o conhecimento da UE”, confirmou o mesmo porta-voz, que não escondeu que o caso terá reflexos em termos da negociação (em curso) de um acordo comercial entre a UE e a Austrália.

Além de Borrell, também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, vão aproveitar a deslocação a Nova Iorque para contactos políticos de alto nível. Os dois vão participar em conferências e mesas-redondas sobre o combate às alterações climáticas ou a promoção dos direitos humanos, e realizar uma série de encontros bilaterais — com líderes africanos e asiáticos e, pela primeira vez desde o “sofagate”, com o Presidente da Turquia, Recep Erdogan.

A crise no Afeganistão, no rescaldo da saída das forças internacionais do país, está no topo da lista de temas que os europeus querem discutir esta semana em Nova Iorque. Para os 27, a forma caótica como decorreu a operação de retirada de Cabul e a rapidez com que os taliban recuperaram o poder “levantam questões sérias” que exigem “uma resposta comum” da comunidade internacional, notou uma fonte europeia, em antecipação da viagem dos líderes europeus.

Após o anúncio do AUKUS, o desafio para os europeus será calibrar a mensagem sobre o valor do multilateralismo, que levam preparada, com o seu novo mantra da “autonomia estratégica”, que se vêem impelidos a defender. De resto, nos discursos dos representantes dos 27 estarão referências à abordagem comum europeia aos dois grandes desafios do presente: o combate às alterações climáticas e a resposta à pandemia de covid-19.