O ciclismo feminino continua a confundir-se com os Países Baixos

Ellen van Dijk tornou-se nesta segunda-feira campeã do mundo de contra-relógio, algo que já tinha conseguido em… 2013. Regressou ao topo oito anos depois da sua grande conquista.

modalidades,desporto,ciclismo,
Fotogaleria
EPA/OLIVIER HOSLET
modalidades,desporto,ciclismo,
Fotogaleria
EPA/OLIVIER HOSLET
modalidades,desporto,ciclismo,
Fotogaleria
EPA/OLIVIER HOSLET
modalidades,desporto,ciclismo,
Fotogaleria
EPA/OLIVIER HOSLET
Fotogaleria
EPA/OLIVIER HOSLET

Sempre que começa uma prova feminina de ciclismo de estrada, seja de fundo ou contra-relógio, a probabilidade de se ouvir tocar o Het Wilhelmus, hino dos Países Baixos, é bastante grande. Nesta segunda-feira, não foi diferente. Eleonora van Dijk – Ellen, para o ciclismo – sagrou-se campeã do mundo de contra-relógio, nos Mundiais que decorrem na Bélgica.

Aos 34 anos, esta ciclista já com 15 anos de carreira superou a concorrência da suíça Marlen Reussen e da compatriota Annemiek van Vleuten, após um percurso de 30,3km entre Knokke e Heist, na Flandres. Qualquer destas corredoras era, há uns meses, favorita a terminar à frente de Ellen van Dijk, mas a neerlandesa surgiu em 2021 num nível tremendo.

Depois de ser campeã da Europa há poucos dias, surgiu na Flandres, nesta segunda-feira, com força para uma ponta final de grande nível, que lhe permitiu chegar ao ouro. Um ouro já habitual para a nação que deu quatro das últimas cinco campeãs mundiais de “crono” e as quatro últimas de fundo.

No final da prova, Ellen, em lágrimas, falou de um sonho: “Era um sonho há muitos anos. Não sabia que ia ficar tão emocionada. Eu tinha perdido os últimos contra-relógios para a Reusser. Sabia que estava a um grande nível, mas também sabia que seria muito difícil e que teria de fazer um o melhor “crono” da minha carreira”. E fez mesmo, apesar de esse não ser o “guião” habitual na alta competição.

É que Ellen van Dijk já tinha sido campeã do mundo em… 2013. A ciclista regressou ao topo oito anos depois da sua grande conquista, um intervalo entre sucessos algo incomum no desporto profissional e que, quando acontece, é prova de uma tremenda longevidade – Mark Cavendish já não pode regozijar-se com este feito sozinho.

O percurso de Ellen van Dijk começou, como com muitas outras crianças dos Países Baixos, na patinagem de velocidade, tendo chegado a ficar perto das medalhas em campeonatos nacionais.

Mas, em bom português, Ellen acabou por “pôr uns patins” à patinagem, trocando-a pelo ciclismo de pista. “O ciclismo de pista e a patinagem até são parecidos. Na pista são três quilómetros a fundo e, na patinagem, os três quilómetros eram a minha prova preferida”, explicou.

A mudança foi uma boa ideia. Em 15 anos de carreira, Ellen van Dijk já soma dois títulos mundiais, um título europeu e mais de meia centena de triunfos ao mais alto nível – mesmo tendo sido, durante vários anos, colocada como “domestique” de outras corredoras.

Os predicados no “crono” valeram-lhe muitas vezes essa “despromoção” a gregária de trabalho, pela utilidade que tem para os líderes das equipas, mas valeram-lhe, nesta segunda-feira, mais um título mundial. É das ciclistas do pelotão que, aos 34 anos, já pode acabar a carreira com um sorriso e sem mágoas.