Cartas ao director

Trotinetas, bicicletas e peões

Os espaços públicos de transportes começam a “digladiarem-se”. Primeiro foram as bicicletas que, apesar de já terem, em muitos locais, espaços próprios, invadiram os passeios que só estão destinados a peões, mas agora veio a moda das trotinetas eléctricas e o perigo instalou-se. No Porto é um “inferno”. Com locais de “colheita” em múltiplos sítios, são deixadas em qualquer local para recolha. Passeios, relvados, na berma, vale tudo. Mas isto seria o menos se não fosse a imitação que fazem das bicicletas, ao passarem a “alta velocidade” nos passeios ou no resta deles, como é o exemplo das paragens de autocarros com bancos de espera. Silenciosas e rápidas, passam e tornam a passar e quem as ouve? Ninguém. E, “omnívoras” de espaço, ainda circulam na estrada e cruzam à frente de automóveis, saindo do nada! Fico por aqui, mas há ainda perguntas que sobram: têm seguro? Que responsabilidade é a daquelas “coisas"? Ou é “tudo ao monte e fé em Deus"?...

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Factos e evidências

Na actualidade, ao contrário de que os políticos afirmam, não vivemos num país onde a democracia está totalmente consolidada. Importa, por isso, aludir aos pilares democráticos que a sustentam: liberdade e igualdade. E se referente ao primeiro ninguém ousa pôr em causa, o mesmo não se pode dizer face à igualdade de oportunidades entre os cidadãos. Efectivamente, é deplorável e inadmissível as enormes discrepâncias que ainda existem em áreas como a saúde, a educação, o emprego (…) na sociedade portuguesa que pretendemos cada vez mais inclusiva e igualitária. Algo que evidencia a necessidade de uma maior sensibilidade social e empenho dos decisores políticos e desta forma promover uma cidadania mais participativa e activa. Não basta dizer-se unicamente que temos um Plano de Recuperação e Resiliência para todos, continuando a preservar a mesma estratégia retrógrada e impeditiva para que os carenciados e vulneráveis usufruam de uma vida mais digna e justa. É importante que tenhamos consciência disso e das consequências que daí podem advir mediante o seu exacerbar e o arrastar no tempo.  

Manuel Vargas, Aljustrel

A cidade de Garrett

Nos meandros culturais do nosso país, mormente nos espaços museológicos, há uma repetida e insuportável ambição por parte dos seus actores em procurar a diferença criando novas formas onde a provocação por vezes é chocante, sobretudo porque desrespeitosa. O recente e inesperado esvaziamento do Museu Romântico da cidade de Garrett é um exemplo inaceitável desta prática em que a sábia arrogância do poder, desprezando a urbe, não ouviu nem precisou de conselho.

Sendo certo que o hábito faz o monge, não vemos como um museu declaradamente romântico, muito procurado por visitantes, pode agora despido dos instrumentos e símbolos ser chamado Museu da Cidade ainda que com fraca habilidade os autores o apelidem de extensão do romantismo?! Se cá estivessem, o que diriam deste lamentável episódio Agustina, Eugénio de Andrade ou mesmo Fernando Lanhas? Afinal, que cidade é esta que já não reage aos atropelos?

José Manuel Pavão, Porto

A justiça tem de agir

O comportamento inadmissível de umas poucas pessoas tem trazido a público algumas atitudes que nada têm a ver com o regime democrático em que, felizmente vivemos. Recordo os apupos e os gritos de “assassino” proferidos em Agosto em Odivelas pior um grupo de pessoas que são contra a vacinação contra o covid-19 contra o vice-almirante Gouveia e Melo, a atitude inimaginável, vaidosa e insultuosa do juiz Rui Fonseca e Castro, fora e dentro do tribunal e a atitude mais recente levada a cabo contra o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues. Em qualquer destes casos as pessoas que tomaram tais atitudes são facilmente identificáveis e, em função da gravidade desses comportamentos, a justiça portuguesa tem que actuar imediatamente dentro da lei uma vez que a autoridade democrática tem que ser defendida. A maioria esmagadora dos portugueses assim o exige e frases e comportamentos como as que se ouviram em qualquer das três situações antes descritas têm que ser devidamente castigadas. Não pode ser permitido tudo. A democracia e a defesa do Estado de direito assim o exigem.

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora