Salman Rushdie vai publicar novela na plataforma de newsletters Substack

O autor de Os Versículos Satânicos chegou a acordo com esta plataforma, que permite a escritores e jornalistas enviarem directamente conteúdos pagos aos seus leitores.

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miguel manso

Em constante crescimento desde que foi fundada em 2017, a Substack conseguiu agora convencer mais um nome de peso, o do escritor anglo-americano de origem indiana Salman Rushdie, a aderir à plataforma, que conta já com mais de 250 mil subscritores pagantes.

Rushdie diz que pretende usá-la para publicar ficção e para interagir com os leitores, e anunciou que tenciona publicar exclusivamente na Substack a novela que acabou de escrever, The Seventh Wave, além de ficções breves e ensaios.

“O objectivo é ter uma relação mais próxima com os leitores. Falar livremente, sem intermediários ou guardiães”, diz o escritor no primeiro post que escreveu para a plataforma. “Só cá estamos nós, só tu e eu, e podemos ir aonde isto nos levar.”

Numa conversa com a jornalista Shelley Hepworth, do jornal inglês The Guardian, Rushdie, que vive há 20 anos em Nova Iorque, garante que nunca tinha ouvido falar desta plataforma até a Substack o ter contactado, mas que começou então a informar-se e descobriu que “muita gente que conhecia e admirava” estava a aderir, dando como exemplos a cantora e escritora Patti Smith ou o realizador Michael Moore.

Rushdie diz que inaugurará a sua colaboração com textos de ficção e alguns ensaios, que começarão por ser de acesso gratuito, e que depois tenciona cobrar cinco ou seis dólares mensais, que permitirão desbloquear novos capítulos de um folhetim ou darão ao subscritor a possibilidade de interagir directamente com o autor.

Em Março deste ano, a Substack anunciou que estava a lançar um programa experimental que incluía adiantamentos a escritores para criarem textos para a plataforma, mas nunca revelou que autores foram financiados. Rushdie adiantou que a plataforma lhe deu algum dinheiro à cabeça, cujo montante não quis precisar, mas que, assegurou, é muito inferior ao valor do adiantamento que costuma receber dos seus editores por um novo livro.

O escritor diz que está apenas a experimentar uma coisa nova, que nunca tinha feito. “Que sera, sera: ou se revela algo de maravilhoso e agradável, ou não.” E também não parece excessivamente preocupado com a eventualidade de estar a contribuir para a morte do livro ao publicar ficção em formato exclusivamente digital: “As pessoas andam a falar da morte do romance desde que ele nasceu… mas o objecto propriamente dito, à moda antiga, em edição de capa dura, está incrivelmente e rebeldemente vivo.” E conclui: “E aqui estou eu, então, a tentar mais uma vez matá-lo.”