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Ruth Orkin: a vida de uma das pioneiras do fotojornalismo no feminino

"American Girl in Italy", Florença, Itália, 1951 ©Ruth Orkin
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"American Girl in Italy", Florença, Itália, 1951 ©Ruth Orkin

“Sempre fiz o que me apetecia fazer.” A frase é da norte-americana Ruth Orkin, uma das pioneiras no fotojornalismo no feminino, que cumpriria, em 2021, 100 anos de idade. Para marcar a ocasião, a editora Hatje Cantz, em colaboração com a filha da fotógrafa, Mary Engel, lançou um livro que faz a retrospectiva do seu trabalho, intitulado Ruth Orkin, a Photo Spirit.

Ruth era, no seu tempo, uma mulher invulgar. Filha de uma actriz de filmes mudos, Orkin cresceu em Hollywood. Aos dez anos, recebeu a sua primeira câmara fotográfica e começou, imediatamente, a fotografar os colegas e professores no interior da sua escola. Aos 17 anos, Orkin atravessou os Estados Unidos de bicicleta – desde Los Angeles até Nova Iorque – para poder visitar a Feira Mundial de 1939; registou fotograficamente todo o percurso.

Quando regressou, em 1940, frequentou o curso de Fotojornalismo durante um breve período, antes de trocar os estudos por um cargo de estafeta nos estúdios da MGM — Ruth foi a primeira mulher no cumprimento dessa função no estúdio. Tinha o sonho de tornar-se cineasta, mas o sindicato do sector não permitia a integração de mulheres, motivo pelo qual foi forçada a abandonar. Optou pelo fotojornalismo por não existir nenhum sindicato que pudesse excluí-la. Em 1941, juntou-se brevemente ao Corpo Feminino do Exército norte-americano, numa segunda tentativa de se tornar cineasta – algo que era anunciado nos cartazes de recrutamento –, mas sem sucesso. Em 1943, mudou-se para Nova Iorque. Fez retratos de bebés durante o dia e fotografou o interior de nightclubs à noite até juntar dinheiro suficiente para uma câmara fotográfica profissional. Em 1945, realizou o primeiro trabalho para o The New York Times – o primeiro de muitos também para a revista Life, Look, This Week, entre outras.

Viajou sozinha pela Europa em 1951, período em que realizou algumas das fotografias mais icónicas do seu extenso portdfólio. Uma delas tem o título American Girl in Italy e descreve uma jovem mulher norte-americana a passear em Florença. Essa é, provavelmente, a mais célebre da sua autoria; nela vemos 15 homens que miram Ninalee Craig (identificada na imagem como Jinx Allen) de forma lasciva, enquanto esta caminha apressadamente, visivelmente incomodada. A fotografia foi publicada num artigo de uma revista e incentivava outras mulheres a viajar sozinhas, tendo-se tornado icónica por revelar de forma clara uma situação de assédio dirigido a mulheres.

Quando regressou da viagem na Europa, Ruth casou com Morris Engel, em Nova Iorque, e realizou, em conjunto com ele, dois filmes: Little Fugitive e Lovers and Lollipops – o primeiro foi um dos nomeados para os Óscares, em 1953. Ruth teve dois filhos e faleceu em 1985.

Corpo Auxiliar Feminino do Exército a caminhar, Arkansas, EUA, 1943
Corpo Auxiliar Feminino do Exército a caminhar, Arkansas, EUA, 1943 ©Ruth Orkin
Marion Anderson e Leonard Bernstein em Lewisohn Stadium, Nova Iorque, 1947
Marion Anderson e Leonard Bernstein em Lewisohn Stadium, Nova Iorque, 1947 ©Ruth Orkin
Mãe e filha sentadas numa mala, em Penn Station, Nova Iorque, 1947
Mãe e filha sentadas numa mala, em Penn Station, Nova Iorque, 1947 ©Ruth Orkin