Rui Moreira reclama “revitalização” do Porto na sua era pois a perda da população foi estancada

Porto perdeu mais de cinco mil habitantes desde os últimos censos, em 2011. Mas Rui Moreira sublinha a “curva ascendente” nos anos em que assumiu a presidência da Câmara do Porto

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Rui Moreira chegou à Câmara do Poerto em 2013 LUSA/FERNANDO VELUDO

Entre 2011 e 2021 o Porto perdeu 5629 habitantes, o que representa uma queda de 2,4% na população da cidade, mostram os resultados preliminares dos Censos deste ano. Mas a leitura que importa a Rui Moreira é outra e mostra uma “curva ascendente” desde 2014, um ano depois de o independente ter chegado à autarquia. “Temos agora mais população do que tínhamos em 2013”, aponta, baseando essa análise em dados disponibilizados anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“A avaliação de que a cidade estava a perder dezenas de milhares de pessoas nos últimos anos não corresponde à realidade. Há de facto um rejuvenescimento. Não só conseguimos fixar população como conseguimos compensar as saídas com entradas”, apontou o autarca que convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa na tarde de quarta-feira, horas depois dos resultados preliminares dos Censos 2021 terem sido conhecidos.

A “preocupação legítima” de que a população flutuante, oriunda sobretudo do turismo, fizesse baixar o número de residentes fica para Rui Moreira despistada. Aquilo que os dados preliminares do INE mostram, continuou, foi que a cidade conseguiu “resistir” e que o “grande problema foi a descida vertiginosa até 2013”.

As estatísticas permitem “repor a situação no zero” e desmentem quem afirmava que a cidade estava a perder população, afirmou Rui Moreira, atribuindo o ganho dos últimos anos às actividades económicas e à revitalização. “Isto não é achismo.” 

Curioso, embora não surpreendente, foi para Rui Moreira verificar que a freguesia que mais população perdeu foi Campanhã, a mais oriental da cidade: “Justifica as políticas públicas que temos vindo a desenvolver.” O centro histórico perde, mas não configura um “grande problema” e as freguesias mais ocidentais conseguem fixar gente, avaliou.

Aviso “amarelo torrado”

A satisfação do autarca não se prolonga para lá de uma leitura do seu concelho. Os dados nacionais — que mostram que o país perdeu população pela primeira vez desde 1970 — são um “enorme aviso”. “E já não é aviso verde, é aviso amarelo com ar de amarelo-torrado.”

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O Alentejo e outras zonas do interior caminham para a “desertificação” enquanto as regiões do Algarve e Lisboa e Vale do Tejo conseguem crescer. Porquê? “Tem muito a ver com aquilo que é a hiperconcentração de competências na cidade de Lisboa e nos arredores.”

Por causa disso, Rui Moreira hesita em alinhar em estratégias metropolitanas que possam “juntar” o Porto a concelhos como Gaia ou Maia. “Seria contribuir para a hiperconcentração” e para a “desertificação” de outras zonas, analisou. A chegada de novos moradores ao Porto agrada ao autarca, mas não a qualquer custo. “Não tem mal se for voluntário e um acto de liberdade, mas tem mal se for um acto de abandono”, afirmou, mostrando disponibilidade para pensar uma solução nacional para o problema.