O Panchatantra e o tigre de Mysore

A criança trouxe consigo, entre outras coisas que havia aprendido com os seus amigos listados, uma arte, se assim se lhe pode chamar, que era a de saber fazer da amizade uma coisa indestrutível, coisa muito comum entre os animais da floresta.

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Humberto Lopes

Numa zona de mercados de rua, em Mysore, uma cidade histórica da Índia, duas ou três vacas passeiam, majestáticas. Avançam entre os passantes e uma fila de vendedores de hortaliças e fruta que estão sentados meio a dormitar entre os montículos de verduras e um muro. Tem cada um sua vara estendida ao lado, no chão. Quem estiver atento, verá: quando as bovinas deitam o dente às couves, a vara salta para as mãos do homem, o bicho sagrado do hinduísmo sofre uma ou duas vergastadas e avança para a próxima braçada de legumes. Sagrada ma non troppo, a criatura sabe de cor a deixa.