Pessoas normais e amigos imaginários

Normal People é um retrato cru da forma como o amor e as suas intermitências podem permear a vida quotidiana. Já o filme Tristeza e Alegria na Vida das Girafas assenta numa premissa extravagante para se lançar numa viagem que marca o fim da inocência de se ser criança.

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Se a amizade é um conceito abstracto – ainda que vincado de palavras e gestos palpáveis –, que dizer dos amigos imaginários? O filme Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, que chegou à HBO no início deste mês, apresenta um amigo imaginário que seria difícil de imaginar. Surge na figura de um urso de peluche chamado Judy Garland (interpretado por Tónan Quito), cuja língua nativa são os impropérios. Pode causar estranheza ver um urso deprimido a proferir asneiras em catadupa perante uma criança de dez anos – um amigo imaginário quase tão antagónico como o Adolf Hitler, de Taika Waititi, no filme Jojo Rabbit –, mas o filme vai além disso: fala sobre lidar com a dor, com a ausência, com o crescimento.