Benfica marca eleições até ao fim do ano

Direcção, Conselho Fiscal e Mesa da Assembleia Geral estiveram reunidos no Estádio da Luz para decidir o futuro do clube, estabelecendo objectivos para o imediato.

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Reuters/PEDRO NUNES

Depois de um debate interno de quatro horas, que envolveu os respectivos responsáveis dos órgãos sociais, o Benfica anunciou, ao início da noite desta terça-feira, que avançará para a marcação de eleições antecipadas até ao final do ano. Acto que deverá, assim, acontecer cerca de um ano depois da última ida às urnas, que reconduziu Luís Filipe Vieira em Outubro de 2020. O clube espera reunir, desta forma, condições para a legitimação, por parte dos sócios, dos actuais corpos sociais, em particular da direcção, assumida por Rui Costa, depois da suspensão do mandato de presidente decretada por Luís Filipe Vieira.

A reunião quadrimestral ordinária que sentou à mesa os líderes do Conselho Fiscal, Mesa da Assembleia Geral (AG) e Direcção do clube terminou com a divulgação de um comunicado que, para além das questões relacionadas com a projecção da época desportiva, sobretudo do futebol profissional, e da emissão das obrigações da Benfica SAD, se focou na questão mais sensível: a sucessão directiva.

Comunicado

Entretanto, Rui Costa continuará a dirigir os destinos do clube e deverá, no momento oportuno, formar e apresentar uma lista para concorrer à presidência da direcção do clube.

No comunicado assinado pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral, António Pires de Andrade, avança-se que no plenário dos órgãos sociais foi analisada em pormenor a situação do clube e de todo do grupo Benfica, enfatizando o “clima de coesão e unidade” que terá presidido aos trabalhos. O documento vinca a preocupação, comum a todos os intervenientes, “de defender os interesses da instituição, acima de quaisquer outros”, bem como a necessidade de identificar todos “os objectivos de curto prazo a que se torna imperativo dar resposta”, refere a missiva das “águias”.

A começar pela preparação da época desportiva no futebol e respectiva qualificação da equipa profissional para a Liga dos Campeões, prova que permitirá o encaixe de um mínimo de 40 milhões de euros pela participação na fase de grupos.

Para além do futebol, também a preparação da temporada desportiva das diversas modalidades esteve em análise, numa acção transversal a toda a actividade do clube. Para tanto, será necessário “garantir a normalidade da gestão”, destaca o comunicado. Em especial o período delicado que o Benfica vive em plena época de transferências.

“Assegurar um adequado fecho do mercado de contratações e vendas” é, por isso, apontado como objectivo próximo da direcção, que teve no médio João Mário o primeiro reforço desde que Rui Costa assumiu o lugar de presidente do clube. Uma transferência de grande impacto, mas que não deixa de ser um foco de instabilidade no que diz respeito a possíveis processos judiciais a dirimir.

Paralelamente, surge a oferta pública de subscrição de obrigações da Benfica SAD, já a decorrer, isto depois do aviso deixado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) com a suspensão, na segunda-feira, por duas horas, da negociação das acções da SAD benfiquista. Esse é um ponto, obviamente, sublinhado no comunicado, cuja “conclusão, com sucesso, do empréstimo obrigacionista em curso” merecerá particular atenção.

Num plano igualmente fundamental para o futuro próximo do clube, destaque para a importância atribuída pelos órgãos sociais à “unidade do universo benfiquista”, tendo sido sublinhado que a direcção “está seriamente empenhada em garantir que os objectivos sejam alcançados, pelo que terá uma actuação intransigente em relação às matérias abordadas”.

Nessa perspectiva, surge a promessa de que a direcção do Benfica “irá trabalhar com dedicação, firmeza e sentido das responsabilidades para garantir a estabilidade e tranquilidade necessárias, a fim de que as prioridades definidas sejam resolvidas com sucesso no tempo estritamente indispensável”.

Rui Costa, em concordância com os vice-presidentes, informou o plenário que, finda essa missão, “promoverá todas as diligências tendentes à realização de uma consulta aos sócios”, estimando que o acto eleitoral ocorra até ao final de 2021.