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Isabel Nolasco revela o paraíso que é o seu Timor-Leste, uma "beleza única, crua e inebriante"

O trabalho de uma jurista-fotógrafa que não se considera "fotógrafa de postais". É "a alma de um país e de um povo gravada em momentos para sempre guardados na minha câmara e no meu coração". Timor-Leste – Do Paraíso, Husi Paraízu, com prefácio de Ramos-Horta, será apresentado a 4 de Julho no Museu do Oriente.

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A fotógrafa Isabel Nolasco publicou em 2020 o seu primeiro livro de fotografia Latitudes da Semelhança e dedicou a sua segunda edição da sua carreira a Timor-Leste, procurando reunir o acervo fotográfico que foi compilando naquele território ao longo dos quase dez anos em que lá viveu, revelando o país — a cores e a preto e branco — em diversas dimensões.

A obra Timor-Leste – Do Paraíso, Husi Paraízu, constituída por quatro capítulos (Do Paraíso, Do Sagrado, Do Profano, e Da Alma de um Povo), conta com prefácio de José Ramos-Horta, ex-Presidente e Nobel da Paz, e é publicada precisamente 20 anos depois de a autora ter pisado o solo timorense pela primeira vez. "Foi uma emoção inesquecível visitar um país que há uns meros dois anos tinha referendado a sua determinação em recuperar a independência, proclamada em 2002, um país com o qual os portugueses sempre mantiveram laços fortes de amizade e de solidariedade, nem sempre em sintonia com outros países e organizações internacionais, e que, à distância, apoiaram com emoção e aclamaram essa independência como se fosse sua", escreve Isabel Nolasco, que "culpa" Timor-Leste pela paixão pela fotografia.

"Do Direito, que sempre foi a minha profissão, evoluí para uma vertente mais criativa e artística, como se Timor-Leste se revelasse uma musa, uma fonte de inspiração inesgotável que em muito impulsionou essa mudança", escreve à Fugas. "Em Timor-Leste dei largas a esta vocação. Porque Timor-Leste é de uma beleza única, crua e inebriante; porque o sorriso e a generosidade das suas gentes são directamente proporcionais à história do seu sofrimento e abnegação. E porque desperta (em quem nele consegue ver além das fragilidades) um desejo de contemplação e um arrebatamento perante os elementos que, sem distracções urbanas, se impõem e declaram a todo o momento perante os nossos olhos: o mar, o céu, as montanhas, a luz..."

Jurista há mais de trinta anos, Isabel não se considera "fotógrafa de postais". "O que este livro mostra são fragmentos de tempo e de lugares que fotografei, acasos ou momentos que vivi e registei com emoção. Estes registos são memórias, são retratos de um povo, do seu dia-a-dia e dos seus rituais. Das suas lutas e dificuldades no cumprimento dos dias. Da sua força e sorrisos que nunca esmorecem apesar dessas dificuldades. Da esperança, do olhar das crianças que são o futuro de Timor-Leste. Quero mostrar o que os meus olhos viram e o que, em cada momento, me enterneceu. A alma de um país e de um povo gravada em momentos para sempre guardados na minha câmara e no meu coração."

Isabel Nolasco, consultora na ONU e no Parlamento Nacional de Timor-Leste, apresenta o seu livro de fotografia Timor-Leste – Do Paraíso, Husi Paraízu no próximo dia 4 de Julho, pelas 15h30, no Museu do Oriente, em Lisboa.