Viva a nossa selecção, a covid que se lixe

As duas principais figuras do Estado, que não se têm cansado de pedir todas as cautelas aos portugueses, deram agora os piores exemplos.

Com Portugal no vermelho na matriz de risco da covid-19, com os infectados e os internados a subirem dia atrás de dia, as duas principais figuras do Estado foram ver o jogo da nacional selecção de futebol. Fizeram-no em casa? Não.

Marcelo Rebelo de Sousa foi para uma esplanada de um café repleta de gente. As imagens das televisões mostraram mesas cheias de malta com os olhos na televisão, em muitos casos sem máscara e sem o recomendado distanciamento, o que também se verificava na mesa presidencial. No final, Marcelo vestiu novamente o fato de comentador futeboleiro e lá apreciou a prestação da equipa portuguesa.

Já Ferro Rodrigues foi até Budapeste assistir ao Portugal-França. Tudo bem, tem havido a presença de figuras do estado nos jogos da selecção (como acontece noutros países) e a Ferro, depois de Marcelo e Costa, coube-lhe o terceiro jogo. O pior aconteceu, já no final da partida, quando deixava o estádio.

Talvez toldado pelo apuramento da selecção de Portugal, afirmou o seguinte à RTP: “Espero que os portugueses se desloquem de forma massiva para o Sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final deste Campeonato da Europa.”

Na véspera de o Governo anunciar novas medidas de travão à pandemia, adivinhando-se mais restrições para a região de Lisboa e Vale do Tejo e outras, nomeadamente novos cercos, a segunda figura do Estado aconselhava os portugueses a irem larear a pevide “de forma massiva” para o Sul de Espanha.

Ou seja, as duas principais figuras do Estado, que não se têm cansado de pedir todas as cautelas aos portugueses, deram agora os piores exemplos. Estão à espera de quê depois destas atitudes? Que todos tenham mais cuidados numa altura em que tudo piora, quando eles andam por aí a fazer o contrário?

Viva a nossa selecção, a covid que se lixe. Foi isto ainda que, por outras palavras, eles disseram aos portugueses.