Digital with Purpose, uma ambição, um desafio

O caminho da transição digital sustentável é desafiador, mas promissor. Acreditamos no poder da tecnologia para uma mudança social, económica e ambiental.

Digital with Purpose é um movimento que reúne um conjunto de organizações à escala global em torno de uma ambição: a de promover a sustentabilidade através da transformação digital, numa abordagem multidimensional, que abrange as alterações climáticas, o reforço das democracias, o combate à pobreza, à desigualdade ou à injustiça.

A transformação digital suporta-se em três forças, a da tecnologia, a da inovação e a da colaboração que, articuladas entre si, têm o potencial de libertar um conjunto de oportunidades de desenvolvimento com impacto transversal no mundo.

A conjugação das redes de alta velocidade, com tecnologias disruptivas como o 5G, a computação em nuvem ou de alto desempenho, irão permitir a democratização de tecnologias que, até hoje, apenas estavam ao alcance de poucos. Permitirão um acesso mais universal a novas oportunidades como a indústria 4.0 ou a internet das coisas, à exploração do potencial dos dados, à analítica avançada e inteligência artificial.

O potencial do digital é inegável e extraordinário. Não é uma hipérbole comparar este “novo mundo” ao impacto das revoluções agrícola e industrial.

O digital tem um impacto profundo na forma como as pessoas comunicam, vivem ou trabalham. É promotor de educação e inclusão. Potencia a coesão social e territorial. Ao mesmo tempo, é um enorme contributo para o reforço da competitividade e da inovação do tecido empresarial e do próprio Estado, desempenhando ainda um papel fundamental na mitigação dos impactos das alterações climáticas.

No entanto, esta desejada transformação encerra exigentes desafios como o fosso digital, a ciberameaça e a utilização abusiva de dados.

O fosso digital está hoje relacionado, em primeiro lugar, com a iliteracia digital. Depois, há que atender à disponibilidade e acessibilidade das infraestruturas tecnológicas. Os riscos de este fosso ser agravado são óbvios e sérios: crescente assimetria da competitividade entre países mais e menos desenvolvidos, entre zonas urbanas e rurais; crescente dificuldade na participação ativa na vida social e económica por parte dos cidadãos e das empresas; divisão entre os que têm mais educação e competências digitais e os que têm menos ou nenhuma, lutando para ultrapassar as barreiras que essa exclusão lhes traz.

A ciberameaça, referenciada como um dos dez maiores riscos da atualidade, é responsável por importantes violações de dados ou por significativas disrupções nos processos operativos. Os riscos são também evidentes: a par de avultadas perdas financeiras e da disrupção das cadeias de produção, é estruturalmente abalada a confiança no mundo digital.

Por fim, a violação de dados pessoais ou o uso abusivo dos dados. A utilização intensiva de dados pessoais e a crescente dependência de algoritmos para o seu tratamento, aliada à gradual redução do envolvimento humano e à emergência de tecnologias como a inteligência artificial, a Internet das coisas ou o big data, colocam questões de confiança, justiça, responsabilidade e ética a que urge responder.

A ultrapassagem destes desafios implica, por um lado, o envolvimento de todos os intervenientes, públicos e privados, em torno de uma visão clara e una, sobre qual a divisão das responsabilidades entre o Estado e a Sociedade Civil.

Por outro lado, implica o desenvolvimento de uma estratégia comum que reconheça a necessidade de investimento público para assegurar objetivos de cobertura plena de território, o acesso universal à tecnologia e o reforço do sistema educativo, capacitando a população em todas as faixas etárias.

Finalmente, é fundamental um enquadramento legal previsível, ágil, capaz de acompanhar a realidade e aplicado de forma coerente pelos vários agentes. É também essencial a existência de regras que promovam a autorregulação, que permitam mais (e proíbam menos) em troca de mais transparência, entregando aos cidadãos e às empresas maior controlo e compreensão.

O caminho da transição digital sustentável é desafiador, mas promissor. Acreditamos no poder da tecnologia para uma mudança social, económica e ambiental. É neste âmbito que a NOS assume o seu compromisso de transformação digital sustentável através da sua participação no movimento global Digital with Purpose.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico