Riz Ahmed critica Hollywood por retratos “tóxicos” de muçulmanos e filmes “racistas”

Estrela de O Som do Metal, que se tornou o primeiro muçulmano a ser nomeado para o Óscar de melhor actor, denunciou a “islamofobia” ao mesmo tempo que anunciou o lançamento de The Blueprint for Muslim Inclusion, uma espécie de guia para tornar o cinema mais inclusivo.

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Riz Ahmed recorreu ao seu canal de YouTube para exortar Hollywood a pôr um ponto final nos estereótipos Reuters/Carlo Allegri

Uma investigação da Iniciativa de Inclusão da USC Annenberg analisou quase 200 filmes — uma centena de origem norte-americana, 63 do Reino Unido e 32 produzidos na Austrália — e concluiu que menos de 2% dos papéis não figurativos pertenciam a personagens muçulmanas, sendo 39% das personagens retratadas como violentas. Além disso, a forma como aquelas personagens são colocadas no ecrã alimenta preconceitos: mais de 58% dos personagens muçulmanos eram migrantes ou refugiados, quase 88% não falavam inglês com fluidez e mais de 75% usavam roupas relacionadas com a sua religião.

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Uma investigação da Iniciativa de Inclusão da USC Annenberg analisou quase 200 filmes — uma centena de origem norte-americana, 63 do Reino Unido e 32 produzidos na Austrália — e concluiu que menos de 2% dos papéis não figurativos pertenciam a personagens muçulmanas, sendo 39% das personagens retratadas como violentas. Além disso, a forma como aquelas personagens são colocadas no ecrã alimenta preconceitos: mais de 58% dos personagens muçulmanos eram migrantes ou refugiados, quase 88% não falavam inglês com fluidez e mais de 75% usavam roupas relacionadas com a sua religião.

A partir destas conclusões, o recém-lançado Projecto para a Inclusão Muçulmana faz uma série de recomendações à indústria cinematográfica e televisiva, sugerindo que as organizações da indústria “reconheçam formalmente os muçulmanos como um grupo marginalizado, apagado e com poucos recursos nos seus programas de diversidade, equidade, e inclusão”, “reformem as práticas de casting” e “procurem intencionalmente o talento muçulmano multicultural”. “A representação de muçulmanos no ecrã alimenta as políticas que são decretadas, as pessoas que são assassinadas, os países que são invadidos. Os dados não mentem. Este estudo mostra-nos a escala do problema no cinema popular e o seu custo é medido em potencial perdido e vidas perdidas.”

Uma posição partilhada por Riz Ahmed, que recorreu ao seu canal de YouTube para denunciar a indústria racista, exortando Hollywood a pôr um ponto final nos estereótipos, considerando que “a indústria da islamofobia é uma indústria que mede o seu custo em sangue”.

Num discurso emotivo, a estrela de O Som do Metal recorre às suas próprias experiências como muçulmano, incluindo interrogatórios agressivos nos aeroportos. Segundo o actor, a contribuir para este mal-estar estão filmes premiados como Estado de Guerra (seis Óscares, incluído melhor filme), Sniper Americano (Óscar de melhor montagem sonora) e Argo (três Óscares, incluído melhor filme) — três trabalhos que Riz Ahmed considera “francamente racistas”, que “desumanizam e demonizam personagens muçulmanas”.