Final com Djokovic é o sonho de Tsitsipas

Anastasia Pavlyuchenkova e Barbora Krejcikova disputam a final inédita em Roland Garros.

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Stefanos Tsitsipas LUSA/YOAN VALAT

Aos 22 anos, nove meses e 30 dias, Stefanos Tsitsipas é o mais jovem tenista a qualificar-se para a final de Roland Garros desde 2008, quando Rafael Nadal disputou pela quarta vez o derradeiro encontro do torneio masculino. Mas será frente a Novak Djokovic que o grego irá estrear-se em finais do Grand Slam, depois de o sérvio ter sido o mais forte na “final antecipada” com Nadal.

“É a vitória mais importante da minha carreira. Só pensava nas minhas raízes. Vim de um local mesmo pequeno e o meu sonho era jogar aqui”, afirmou Tsitsipas (5.º) ainda no court, bastante emocionado, após vencer Alexander Zverev (6.º), por 6-3, 6-3, 4-6, 4-6 e 6-3. “Foi um encontro cheio de emoções, com muitas fases diferentes, por isso, no fim, senti um grande alívio. Adoro mesmo o que faço, adoro poder jogar neste estádio e estou grato por cada encontro que posso jogar. Sou abençoado por ter a oportunidade de defrontar os melhores e testar-me, algo com que sempre sonhei e desejei que acontecesse”, confessou o grego.

Tsitsipas foi mais agressivo no início, mas o alemão começou a servir melhor no terceiro set e acabou por igualar. O encontro decidiu-se no primeiro jogo do quinto set, em que o grego recuperou de 0-40. Ao desperdiçar os três break-points, Zverev quebrou animicamente, cedeu no quinto match-point, ao fim de três horas e 37 minutos, e continua sem derrotar um top 10 em Grand Slams.

A estreia de Tsitsipas em finais do Grand Slam é o corolário de uma excelente época sobre a terra batida, na qual conquistou dois títulos (Monte Carlo e Lyon) e só perdeu três dos 25 encontros que disputou – dois deles, frente a Djokovic e Nadal. Nessa derrota com Djokovic, há algumas semanas na terra batida de Roma, Tsitsipas ganhou o set inicial, o que lhe pode dar confiança para o derradeiro encontro, no domingo. Djokovic vai chegar à final de Roland Garros como o primeiro jogador a derrotar Nadal por duas vezes em Paris.

Mais de quatro horas no court

Um primeiro jogo de nove minutos deu o mote para a longa e tremenda batalha de quatro horas e 11 minutos, em que ambos competiram a um elevadíssimo nível. Perto das 23 horas locais, os milhares de espectadores receberam a boa notícia de não serem forçados a respeitar o recolher obrigatório e poderem assistir à vitória de Djokovic, por 3-6, 6-3, 7-6 (7/4) e 6-2. "Foi o meu melhor encontro em Roland Garros frente ao meu maior rival”, confessou.

O espanhol de 35 anos entrou melhor no 58.º duelo entre ambos e chegou rapidamente a 5-0, mas Djokovic fez melhor do que na final de 2020, quando sofreu uma “zerada”, ganhou cinco dos seis jogos seguintes, salvou seis set-points – antes de ceder a partida em 59 minutos – e tomou o controlo do encontro. O líder do ranking teve de salvar cinco break-points nos dois últimos jogos de serviço antes de ganhar o segundo set, serviu a 5-4 para fechar o terceiro, mas foi necessário recorrer ao tie-break para passar para o comando do encontro e, no quarto, recuperou de 0-2.

No sábado, às 14 horas, a russa Anastasia Pavlyuchenkova (32.ª) disputa a final feminina com a igualmente estreante Barbora Krejcikova (33.ª) – que se qualificou para a final de pares femininos, ao lado da também checa Katerina Siniakova e pode suceder a Mary Pierce, que, em 2000, conquistou ambos os títulos.