PAN: o futuro é verde

Para alargar e consolidar a sua representatividade, o PAN tem de ser um partido mais claramente ligado a uma causa com capacidade de mobilizar mais eleitores como é a ambiental.

Um pouco por toda a Europa há sinais para quem os queira ler. Em Inglaterra, nas recentes eleições locais, os Verdes conquistaram mais 91 lugares nos conselhos municipais e vão liderar o governo de Lancaster pela primeira vez. Na Escócia, há conversações entre o partido dos Verdes (independente do seu congénere inglês) e a primeira-ministra eleita, Nicola Sturgeon, para garantir ao Partido Nacional Escocês a maioria que perdeu nas urnas. E na Alemanha, se já não lidera as sondagens nas intenções de voto, a candidata a chanceler Annalena Baerbock ainda tem os Verdes com 23,1% na média de sondagens mais recentes sobre intenções de voto para as eleições legislativas de Setembro, mais do dobro do melhor resultado de sempre, 10,7% nas eleições de 2009.

Um pouco por todo o lado, se não chegam ao poder, os partidos ambientalistas estão pelo menos suficientemente próximos para o influenciar. A agenda que representam conquista cada vez mais eleitores e, se antes o português Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e os seus congéneres eram criticados por serem um partido de uma causa só, o facto é que essa causa, perante a amplitude do problema da sustentabilidade do planeta, ganhou uma dimensão que a faz questionar o modelo de desenvolvimento da sociedade como um todo e propor alternativas. Aquilo para que as ideologias servem.

O PAN, que este fim-de-semana ganhou uma nova liderança, é muito mais jovem do que a maior parte dos seus parceiros e sofre ainda as dores naturais de crescimento, notórias em episódios como a desfiliação do seu eurodeputado e de uma das eleitas para a Assembleia da República. Mas tem uma vantagem em relação a muitos deles: a necessidade de António Costa contar com os seus votos mostrou a capacidade do PAN para obter conquistas concretas para a sua agenda, numa posição negocial fora da lógica esquerda/direita que a abertura do PSD ao diálogo só vem reforçar.

Pode bem por isso Inês de Sousa Real falar de governo sem que isso pareça uma hipótese tão remota, pelo menos em coligação. Mas, para lá chegar, o PAN precisa de resolver vários problemas. Ironicamente um deles é uma das razões do seu sucesso, o de estar demasiado ligado ao bem-estar animal. Para alargar e consolidar a sua representatividade, o PAN tem de mostrar ser um partido mais claramente ligado a uma causa com capacidade de mobilizar mais eleitores como é a ambiental. Para isso precisa de ter mais voz no espaço público e deter uma maior presença ao nível local. O atraso que leva para as autárquicas não é um bom sinal.