A Cultura como motor de recuperação da Economia e de transformação das Cidades

A requalificação da cidade de Faro é, para nós, uma prioridade. A candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 é determinante neste processo.

No último ano, a pandemia e os sucessivos confinamentos a que ela nos submeteu impediram-nos, muitas vezes, de atravessar a fronteira das cidades onde vivemos. Passámos a prestar mais atenção ao que existe nas nossas áreas de residência, mas também ao que nos falta. Deparámo-nos com as cidades que temos, ao mesmo tempo que imaginámos as que gostaríamos de ter. Abre-se, assim, uma janela de oportunidade para pensarmos, em conjunto, o futuro das nossas cidades e eu acredito que a resposta está na cultura e no conhecimento.

A existência de uma comunidade aberta, tolerante, interventiva e participativa está intrinsecamente ligada à pujança da atividade cultural que nela ocorre. Os ganhos em educação e abertura ao mundo são óbvios. Mas existe uma vertente económica, por vezes ignorada por mero preconceito de pensamento, a que me quero referir por entender que é – também ele – fundamental para dar a importância que o setor cultural e criativo merece.

A requalificação da cidade de Faro é, para nós, uma prioridade. Traçámos uma estratégia de desenvolvimento ambiciosa para os próximos anos, com uma missão bem definida: queremos requalificar os nossos edifícios e espaços comunitários, ao mesmo tempo que damos palco às indústrias culturais e criativas. Queremos tornar a cidade de Faro mais atrativa e competitiva, com a certeza de que todos encontrarão aqui o seu espaço.

A candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura 2027 é determinante neste processo. Além de contribuir de forma inquestionável para o reforço do reconhecimento internacional do nosso país, é um motor para o desenvolvimento. Através dela, Faro posiciona-se na linha da frente da criação e desenvolvimento de novas indústrias culturais e criativas, fomentando espaços vivos de cooperação e criatividade que funcionarão como importantes polos de desenvolvimento local.

O futuro que estamos a construir passa pelo reforço da nossa identidade. Acreditamos que só com uma visão integrada e sustentável conseguiremos incrementar a qualidade de vida, atrair mais talento, criar mais emprego qualificado e captar mais investimento. Sabemos também que investir na Cultura é investir na revitalização da economia local e regional, profundamente afetada pela covid-19.

Num estudo da consultora internacional EY, recentemente apresentado em Bruxelas, percebemos o peso significativo, e muitas vezes desconhecido, que a Cultura tem na economia. Na Europa pré covid-19, as áreas culturais e criativas empregavam duas vezes mais trabalhadores do que a indústria automóvel e a indústria das telecomunicações juntas. Para além disso, representavam, em 2019, 4,4% do PIB da União Europeia.

A par do turismo, a Cultura foi dos setores que mais sofreu o impacto das medidas restritivas impostas pela pandemia. No entanto, o seu potencial para responder à crise económica é muito significativo. A capacitação do sector, através do financiamento público e da promoção do investimento privado, é fundamental para que ele possa ser um impulsionador de recuperação nas cidades e regiões em que se inserem.

À semelhança do que já acontece nas principais cidades europeias, também por cá o setor cultural e criativo demonstra ser capaz de criar postos de trabalho e de atrair investimento nacional e estrangeiro. Mas precisamos de o apoiar. É esta a missão que Faro chama a si, na certeza de que a aposta na Cultura e na Arte pode ser a chave para a transformação que tanto ambicionamos para a nossa cidade.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico