Desenho de Leonardo da Vinci vai a leilão na Christie’s de Londres à espera de bater novo recorde

Cabeça de Urso fora já leiloado em 1860 pela mesma leiloeira por… 2,5 libras. Agora espera-se que ultrapasse os oito milhões.

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Cabeça de Urso tem 7x7 centímetros Christie's

Mais de século e meio depois de o ter vendido por 2,5 libras, no ano de 1860, a Christie’s vai de novo pôr em leilão um raro desenho de Leonardo da Vinci (1452-1519), uma Cabeça de Urso desenhada pela técnica de pena-de-prata sobre papel rosa-pálido, e que é actualmente uma das oito obras do género deste mestre do Renascimento a manter-se em mãos privadas – deixando de parte as colecções da Coroa Real Britânica e de Devonshire, em Chatsworth, no norte de Inglaterra.

O leilão está já agendado para o dia 8 de Julho, na Christie’s de Londres, e a expectativa de venda foi colocada entre os 8 e os 12 milhões de libras (de 9,2 a 13,8 milhões de euros), intervalo que lhe permitirá bater o recorde de vendas dum desenho de Leonardo, estabelecido em 2001 com Cavalo e cavaleiro, leiloado por cerca de 9 milhões de euros, também na Christie’s londrina.

Cabeça de Urso, desenhado numa folha quadrada com apenas 7x7 centímetros, através da técnica que Leonardo aprendeu com o seu mestre Andrea del Verrocchio, terá sido feito na primeira metade da década de 1480. Pertenceu à colecção de desenhos de mestres antigos de Sir Thomas Lawrence (1769-1830), um importante pintor e coleccionador de arte, tendo depois passado para as mãos do comerciante Samuel Woodburn, que o vendeu no referido leilão de 1860.

Na primeira metade do século XX, Cabeça de Urso esteve na posse de outro coleccionador britânico, o capitão Norman Robert Colville, e ao longo desse século, desde 1937, foi sendo mostrado em exposições sucessivas em alguns dos principais museus do mundo, como a National Gallery, em Londres, o Louvre Abu Dhabi, ou os russos Pushkin e Hermitage.

Antes de chegar a leilão em Londres, a Christie’s vai exibir o desenho em Nova Iorque, desde este sábado no Rockefeller Center; seguindo-se Hong Kong (20 a 25 de Maio) e Londres (1 a 6 de Junho).

“Estou encantado pelo facto de esta obra-prima, uma das mais importantes do Renascimento que ainda se encontra em mãos privadas, ter sido uma vez mais confiada à Christie’s, após a sua primeira venda em 1860. O desenho foi propriedade de alguns dos coleccionadores mais distintos no campo dos mestres antigos ao longo de vários séculos, entre eles o proprietário actual, que o tinha desde 2008. Foi já admirado em todo o mundo e exibido por museus prestigiados, e a Christie’s tem agora a honra de apresentar este Leonardo no mercado nesta temporada”, disse o director do departamento de Pintura Antiga, Ben Hall, citado pelo diário espanhol ABC. À Reuters, outro responsável da leiloeira, desta vez de Paris, Stijn Alsteens, disse também acreditar que a venda deste desenho poderá “atingir um novo recorde” no mercado da arte em volta da obra de Leonardo.