Hoje, houve o “Benfica bom”

Em sobe e desce exibicional permanente, os “encarnados” mostraram nesta sexta-feira uma versão mais capaz. Foi o Tondela a pagar a factura.

Jogadores do Benfica celebram em Tondela
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Jogadores do Benfica celebram em Tondela LUSA/PAULO NOVAIS
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Diz o povo que o melão é uma fruta difícil de avaliar e que só depois de aberto mostra o que realmente vale. O Benfica parece ter, futebolisticamente, propriedades semelhantes, variando entre um “Benfica bom” e um “Benfica mau” – e, em cada jogo, tal como nos melões, é preciso “abrir” para ver o que dali sai.

Nesta sexta-feira, depois do jogo medíocre frente ao Santa Clara, houve o “Benfica bom”. O que visitou o Tondela e venceu por 2-0, regressando às exibições agradáveis, com um desempenho globalmente positivo – sobretudo enquanto foi necessário.

Já o Tondela, a fazer um grande campeonato, voltou a não conseguir “roubar” pontos a um dos quatro primeiros classificados: oito derrotas em oito jogos frente a Sporting, FC Porto, Benfica e Sp. Braga.

Voltando ao Benfica, a sequência de exibições preocupa, já que a equipa vem em sobe e desce permanente: boa exibição frente ao Sp. Braga, má frente ao Marítimo, boa frente ao Paços de Ferreira, má frente ao Gil Vicente, boa frente ao Portimonense, má frente ao Santa Clara e boa frente ao Tondela. Pela lógica, a próxima jornada, com o importante duelo frente ao FC Porto, tem reservado o “mau Benfica”.

O dilema beirão

Nesta sexta-feira, o jogo acabou por ficar resolvido em pouco menos de 20 minutos. Tal aconteceu porque o Benfica entrou forte, enérgico e criativo, mas também porque o Tondela pareceu viver um dilema que lhe enevoou a estratégia.

Os beirões são uma equipa que gosta de ter a bola, mas que passa grande parte do tempo em bloco baixo – os números comprovam-no, sendo a segunda equipa que maior percentagem do tempo de jogo passa no seu terço do campo.

Acontece que, nesta sexta-feira, o Benfica não trazia Otamendi (central com mais qualidade na construção), Diogo Gonçalves (lateral que muito tem ajudado na criação), Weigl (médio que raramente perde bolas) e Taarabt (criativo que mais magia e soluções oferece na zona central). Estava, portanto, o cenário montado para que uma pressão alta à primeira fase de construção do Benfica fosse frutífera.

Foi o que fez o Tondela, que, seduzido pela possibilidade de pressionar jogadores como Gilberto ou Gabriel, apresentou uma primeira linha de pressão muito alta. O problema – e aqui entrou o dilema – é que a defesa joga, habitualmente, em bloco baixo. E esta dicotomia, mal resolvida, acabou por abrir muito espaço entre sectores, que o Benfica aproveitou a preceito.

Aos 9’, Grimaldo cruzou para uma perdida tremenda de Seferovic. Aos 10’, Everton cabeceou fraco numa bola perdida na área beirã. Aos 12’, o brasileiro desequilibrou no um contra um, cruzou e Pizzi finalizou ao segundo poste – era a segunda vez que o Benfica penetrava pela esquerda com relativa facilidade.

Aos 19’, Everton juntou à assistência um belo golo. Novamente muito tempo e espaço na esquerda, com o extremo internacional brasileiro a fazer o seu movimento de “assinatura”: enquadrar-se para o corredor central e rematar em arco para o poste mais distante.

2-0 com relativa facilidade, frente a um bloco defensivo do Tondela “abandonado” pela linha avançada e totalmente exposto às transições do Benfica.

Ainda houve um lance de perigo de Mario González, melhor jogador do Tondela na temporada, mas o que restou da primeira parte foi, essencialmente, um jogo lento e controlado pelo Benfica.

Guarda-redes decisivos

Na segunda parte, os “encarnados” apareceram numa postura de controlo, mas controlar é diferente de adormecer. O Tondela, menos errático com bola e com João Pedro a jogar uns metros à frente, aproveitou-o.

Mario González esteve perto do golo aos 58’, falhando em boa posição, e aos 61’, permitindo uma boa defesa de Hélton. No duelo González-Hélton estava 2-0 para o guardião do Benfica.

Tal como noutros jogos, o Benfica voltou a ter dificuldades para controlar e “congelar” o jogo – valeu-lhe a desinspiração do Tondela. Ainda assim, a equipa “encarnada” não estava necessariamente menos capaz no sector ofensivo, até pela audácia crescente do Tondela.

Aos 67’, Seferovic falhou na cara de Trigueira – também o avançado benfiquista esteve em “dia não” – e, dez minutos depois, Everton voltou a desequilibrar, desta vez sem tocar na bola. Deixou-a passar, permitindo que Pizzi, em melhor posição, rematasse com perigo. Também Grimaldo esteve perto de um golo de livre directo, aos 89’, e Cervi numa transição, aos 90’.

Apesar das dificuldades para controlar o jogo e manter-se a salvo de sustos, a exibição do Benfica foi globalmente positiva, numa partida também ela interessante e recheada de incidências – as boas incidências.