Não basta ter um emprego seguro para evitar a pobreza

Mais de um terço dos pobres em Portugal são trabalhadores, a maioria dos quais com vínculos estáveis e salários certos ao fim do mês. Um estudo divulgado esta segunda-feira traça o perfil da pobreza em Portugal, agrupando-os entre reformados, desempregados, precários e trabalhadores. Uns sentem-se pobres, outros não. A maioria declara-se feliz.

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A pobreza surge da conjugação de baixos salários, famílias extensas e da fragilidade da rede de apoio do Estado Nelson Garrido

A pobreza herda-se e não basta ter um emprego seguro para se sair dessa situação. Em Portugal, pelo menos, onde 11% dos trabalhadores são pobres, apesar de terem trabalho e salário certo ao fim do mês. Contas feitas, no estudo A Pobreza em Portugal – Trajectos e Quotidianos, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, os trabalhadores pesam 32,9%, ou seja, constituem um terço do total de pobres (16,2% da população que vivia com menos de 540 euros líquidos por mês em 2019, segundo o Instituto Nacional de Estatística). A maior parte destes trabalhadores pobres até tem vínculos estáveis, muitos há mais de 10 anos, alguns há mais de 20 na mesma empresa.

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