Retratos de uma arte no limiar do digital

Com disposições mais ou menos críticas, mais ou mais fascinadas, acolhem os efeitos das novas tecnologias na produção e na concepção visual, estética e conceptual dos seus trabalhos. No contexto em que vivemos, qual é o significado dessa realidade? Entre a reflexão, a imaginação e o cansaço, os artistas reconsideram as possibilidades e os dilemas do digital.

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Aconteceu mais do que uma vez. A voz humana sumia-se ou, distorcida, tornava-se incompreensível. Em algumas ocasiões, era a imagem, no ecrã, que congelava antes de se partir em pixels. Sobrecarga de ligações, entropias várias. A tecnologia a falhar num artigo que procura explorar as relações entre o digital e um conjunto heterogéneo de artistas de origem portuguesa. Ironia? Não, afinal o sucedido, embora não desejável, era esperado. Retenha-se, entretanto, o emprego do adjectivo “heterogéneo”. Miguel Soares, Pedro Barateiro, Paulo Arraiano, Diogo Evangelista, Pedro Neves Marques, Diana Policarpo e Alice dos Reis são irredutíveis a uma categoria, a uma geração ou a um tipo de prática. Muito pelo contrário. É provável que se avistem afinidades, mas a cada um corresponde um universo particular. Dito isto, o que, entre si, os conecta? Numa frase: a presença das tecnologias digitais — também ela única e com graus diferentes — nas suas obras. Poder-se-ia dizer, então, que subscrevem essa condição sem prejuízo da multiplicidade dos pontos de vista e interesses.

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