Cinco séries que o vão fazer reflectir

Estar em frente a um ecrã não significa necessariamente desligar o cérebro. Esta semana fizemos uma selecção de séries que desafiam alguns pressupostos e cujos temas – sejam viagem no tempo, futuros distópicos, relações de poder, ética profissional ou mesmo a filosofia –, nos deixam muito espaço para a reflexão.

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Dark
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The Handmaid's Tale
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I May Destroy You
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The Good Place
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Vitals

Dark

Netflix
Com um argumento complexo, onde é constantemente repetida a ideia de que “o que conhecemos é uma gota, e o que não sabemos é um oceano”, este thriller de ficção científica explora a questão do espaço-tempo e os seus efeitos sobre a existência humana. Primeira série original alemã da Netflix, tem assinatura de Jantje Friese e Baran bo Odar (autores de “Who Am I - Kein System ist sicher”) e foi surpreendentemente bem recebida por espectadores de todo o mundo – com 90% das audiências fora da Alemanha. Tudo se passa em Winden, uma pequena cidade junto a uma central nuclear, onde a vida era tranquila até duas crianças desaparecerem sem deixar rasto. Os habitantes unem-se para encontrar pistas que ajudem as autoridades. Mas é o jovem Jonas Kahnwald quem, durante as suas investigações, desvenda uma série de mistérios que entrelaçam o passado, o presente e o futuro de quatro famílias de Winden. Entre várias distinções, recebeu o prémio Grimme-Preis, o mais importante da televisão alemã.

The Handmaid's Tale

TVCine +
Três décadas após a impressão do romance The Handmaid's Tale, escrito pela canadiana Margaret Atwood, a sua história foi adaptada a série pelo serviço de streaming Hulu, transformando-se quase imediatamente num símbolo de resistência feminista. A explicação é simples: a sua estreia, em 2017, coincidiu com a chegada de Donald Trump à presidência norte-americana e com a eclosão do movimento anti-assédio #MeToo. A acção decorre num futuro não muito distante, quando os EUA se transformaram na República de Gilead, um regime totalitário e patriarcal baseado no Antigo Testamento que, devido a uma descida súbita da natalidade, escraviza mulheres férteis para que sejam engravidadas por homens poderosos – que lhes ficarão com os filhos. As mulheres, sendo propriedade do Estado, não têm direitos ou liberdade de expressão e todas, de um modo ou outro, são vítimas de exploração e violência. The Handmaid's Tale é narrada do ponto de vista de Offred (ou seja, “de Fred”, o homem que serve), que tem um único objetivo em mente: sobreviver e encontrar a filha. Em 2017, The Handmaid’s Tale ganhou oito Emmys, incluindo melhor actriz principal (Elisabeth Moss) e secundária (Ann Dowd), realização, argumento e série dramática, tornando-se a primeira série de um serviço de streaming a receber essa distinção. Em 2018, foi galardoada com Globo de Ouro para melhor série dramática, actriz principal e secundária (novamente Moss e Dowd). 

I May Destroy You

HBO
Estreada em Junho de 2020 pela BBC One e HBO, uma série escrita, protagonizada e co-realizada por Michaela Coel (também responsável por Chewing Gum, comédia de desconforto sobre a exploração da sexualidade, disponível na Netflix) que se inspira numa experiência pessoal da autora. Arabella é uma jovem londrina sempre rodeada de amigos e com uma carreira como escritora em ascensão. Certa noite, num momento de falta de inspiração na escrita do seu segundo livro, decide sair e juntar-se a uns amigos num bar. No dia seguinte, com um golpe na testa, desorientada e com poucas memórias do sucedido, percebe que foi agredida sexualmente. Com a ajuda de Terry (Weruche Opia) e Kwame (Paapa Essiedu), ela tenta reconstruir os eventos da noite anterior, percebendo que alguém lhe pôs algum tipo de droga na bebida. À medida que vai debatendo questões sobre drogas, sexo, racismo e relações de poder, a série segue o esforço de Arabella em se reconciliar com o sucedido. O sucesso de I May Destroy You perante a crítica e o público e que a fez ser premiada com um Gotham Awards, um Screen Actors Guild Awards e um Film Independent Spirit Awards –, fez estranhar que não tenha sido nomeada em nenhuma categoria dos Globos de Ouro deste ano.

The Good Place

Netflix
Apesar do seu modo bem-humorado, The Good Place lida com temas filosóficos importantes: o sentido da vida, a dicotomia bem e mal e a possibilidade (ou não) de redenção. Eleanor Shellstrop (Kristen Bell, de Veronica Mars) morreu atropelada por um camião. Ao despertar, é-lhe dito que está no “Lugar Bom”, onde a felicidade e a harmonia são constantes e para onde são enviados todos os que dedicaram as suas existências a praticar o bem. O problema é que, mesmo que lhe custe a admitir, ela nunca foi boa pessoa. Estar naquele lugar só pode significar que houve um equívoco e que, assim que for notado, será enviada para onde realmente merece estar: o aterrorizante “Lugar Mau”. Assim, Eleanor vai fazer os possíveis para manter as aparências e esconder de Michael (Ted Danson), o arquitecto, o fatídico erro. Criada em 2016, por Michael Schur, a série foi concluída em Janeiro de 2020, depois de quatro temporadas. A contracenar com Bell e Danson estão William Jackson Harper, Jameela Jamil, Manny Jacinto e D'Arcy Carden. Foi nomeada para quatro Primetime Emmy Awards, incluindo melhor série de comédia, pela terceira e quarta temporada.

Vitals

HBO
Com uma forte carga dramática, muito devido à situação de pandemia que atravessamos, esta série documental é uma reflexão importante sobre o que se passa nos hospitais. Foca-se em situações reais vividas entre Março e Junho de 2020 no Hospital Parc Taulí, em Barcelona. As câmaras transportam o espectador não apenas pelos corredores do hospital, mas também para dentro de casa de alguns dos profissionais de saúde, mostrando a forma como cada um gere a vida pessoal e encontra forças para regressar ao trabalho no dia seguinte. São retratos de medo, solidão e desgaste físico e emocional, mas também de esperança e de generosidade. Composta por apenas três episódios, foi realizada por Fèlix Colomer (Sabadell, 1993) e produzida por El Terrat e Forest Film Studios para a HBO.