FC Porto salva primeiro “match-point” na Madeira

Francisco Conceição foi decisivo para salvar novo empate dos “dragões”, que vão chegar ao clássico com o Sporting, na próxima jornada, a 10 pontos de distância.

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LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Esteve à vista o “adeus” precoce dos campeões à revalidação de um título que continua à distância de dez pontos. Um destino contrariado pela irreverência do “herdeiro” de Sérgio Conceição, que ajudou a desfazer, diante do Marítimo (1-2), o que seria o quarto empate consecutivo na Liga, antes da prova de fogo com o Sporting, na próxima ronda. 

O FC Porto sofreu para vencer na Madeira, um triunfo suado e selado com um penálti conquistado por Francisco Conceição e consumado por Otávio, em nome do 200.º jogo do treinador portista no banco dos “dragões”. Um momento celebrado na roda final também graças a Marchesín, que, num momento mágico, negou a felicidade suprema a Alipour (isolado), a Zainadine e a Leo Andrade no 84.º minuto.

Antes, o FC Porto adiantara-se ainda dentro do primeiro quarto de hora com um golo de Matheus Uribe, na sequência de um livre a que o colombiano deu sentido depois de uma série de ressaltos na área maritimista. 

Última da classificação, fruto de cinco derrotas consecutivas (agora seis) na Liga, a formação da casa aproveitou um livre para se apresentar à defesa portista imediatamente antes de repor a igualdade, num canto que resultou de falta ríspida de Corona sobre Correa — em lance que poderia ter tirado o mexicano da recepção ao Sporting. O árbitro contemporizou e teve que honrar o critério mais tarde, acumulando erros disciplinares. 

No lance do empate, anulado pelo árbitro assistente, o VAR Nuno Almeida precisou de três minutos para reverter a decisão e validar o golo de Leo Andrade, tempo que só se justifica por um possível desvio imperceptível da bola no calcanhar de René Santos. A haver toque, Leo ficaria em posição irregular, mas o golo contou e o FC Porto precisou de voltar à carga e enfrentar mais um bloco coeso, com nove unidades alinhadas em duas trincheiras, dispensando apenas Tagueu para um vislumbre ofensivo.

Apesar da densidade populacional junto à área do Marítimo, o FC Porto obrigava Amir a empenhar-se para evitar, com a ajuda do poste, novo golo portista num cabeceamento de Mbemba, com recarga deficiente de Taremi. 
Entretanto, o árbitro, após “amarelar” Hermes e Manafá (este no limite da agressão) e ignorar o pedido de penálti cometido por Zainadine sobre Marega, poupou René Santos numa entrada sobre Manafá. Mas a decisão que mais indignou Pepe foi o “perdão” a Tagueu, cujos pitões ficaram cravados na perna do central portista, sem consequências para o camaronês. 

O FC Porto perdia discernimento e energia nesta discussão, vendo aumentar os níveis de ansiedade para valores tóxicos e obrigando Sérgio Conceição a intervir. O técnico recorreu, então, ao filho Francisco, que imprimiu uma rotação elevada e foi abrindo brechas na defesa insular, numa altura em que a influência de Otávio na crescente pressão portista já se fazia sentir, embora Amir tenha tranquilizado os madeirenses com intervenções firmes. 

O Marítimo ganhava tempo para que Milton Mendes ajustasse as pedras e criasse instabilidade nas transições. Já com os “dragões” em brasa, os madeirenses dispusram de duas ocasiões para marcar e implodir o FC Porto, que foi resgatado pelo heroísmo de Marchesín, a tirar a equipa de apuros, permitindo chegar à vitória já em período de compensação, na sequência de um penálti a punir falta sobre Francisco Conceição. Desta vez, Amir não repetiu a proeza da primeira volta e Otávio evitou o primeiro “match-point” do título, relegando o Sp. Braga novamente para o terceiro lugar.