Janeiro é o mês com mais mortes dos últimos 12 anos. Covid-19 responsável por uma em cada quatro

Morreram mais de 18.700 pessoas em Portugal em Janeiro, quase 40% mais do que em Janeiro de 2015, que era até agora o pior mês desde 2009. Covid-19 foi a causa de um em cada quatro óbitos.

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O dia com mais mortes reportadas foi 20 de Janeiro, quando morreram 746 pessoas em Portugal Paulo Pimenta

Janeiro ainda não terminou, mas é já o mês com mais mortes dos últimos 12 anos. Foram reportadas até às 20h deste sábado 18.748 mortes, um máximo que ultrapassa em quase 40% o anterior mês com mais óbitos registados em Portugal, de acordo com os dados do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (Sico) da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

O anterior máximo remontava a Janeiro de 2015, quando morreram no país 13.546 pessoas, um número que este ano foi ultrapassado a 23 de Janeiro.

Durante este mês, a covid-19 foi directamente responsável por 5207 mortes: cerca de uma em quatro se devem à doença (27,8%). Se analisarmos o excesso de mortalidade, podemos concluir que a infecção pelo SARS-CoV-2 explica mais de metade (58,3%) das mortes a mais durante o mês de Janeiro. De acordo com as estimativas da Sico, houve pelo menos 8960 mortes acima do que é esperado para esta altura do ano – o que é quase o dobro do que era expectável (92% acima das projecções).

O dia com mais mortes reportadas foi 20 de Janeiro, quando morreram 746 pessoas em Portugal. Este é também um máximo dos últimos 12 anos, e foi o segundo dia de nove consecutivos com mais de 700 óbitos no país (de 19 a 27 de Janeiro).

O boletim epidemiológico da DGS relativo a 20 de Janeiro deu conta de 221 mortes por covid-19, o equivalente a 29,6% do total de óbitos nesse dia e a 51,4% do excesso de mortalidade (430 mortes acima do esperado nesse dia).

O volume anormal de mortes fica bastante evidente se tivermos em conta que, entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2020, só houve mais de 500 mortes em 24 horas a 4 de Janeiro de 2017 (501) e a 5 de Agosto de 2018 (508). Em Janeiro de 2021, só de 1 a 4 de Janeiro é que o número de óbitos se cifrou abaixo das cinco centenas.

Dos 18.748 óbitos, 16.959 foram por causa natural, 113 deveram-se a uma causa externa e 1706 estão sujeitos a investigação.

Em termos de distribuição por faixas etárias, a faixa que concentra o maior número de mortes é a das pessoas com 85 ou mais anos, com 46,7% (8745). De resto, se alargarmos o grupo à população com 75 ou mais anos conseguimos agregar 74,8% do total de óbitos (14.199). Os restantes 24,2% são mortes prematuras (pessoas com menos de 75 anos).