Ventura foi um candidato de partido “transversal” que captou o “voto de protesto”

Líder do Chega teve os melhores resultados na zona raiana, de Bragança ao Algarve. Onde há menos apoio na saúde e mais estrangeiros, mas onde até há um pouco menos de beneficiários de RSI do que a média nacional.

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Nuno Ferreira Santos

O tradicional chavão da “pergunta de um milhão de dólares” transformou-se, desde domingo à noite, na “pergunta do meio milhão de votos": de onde veio tanta cruz no quadrado à frente da fotografia de André Ventura? Não vai ser fácil determinar e até mesmo os especialistas em leitura de resultados eleitorais admitem que “é preciso tempo”. “Neste momento, o que temos são pistas e questões para investigar que vão demorar tempo, muito mais tempo do que a agenda noticiosa gostaria”, admite Pedro Magalhães que integra o projecto Estudo Eleitoral Português, coordenado pela politóloga Marina Costa Lobo. E será até mais difícil de fazer o retrato do eleitor de cada candidato, uma vez que os inquéritos pós-eleitorais que medem o comportamento dos votantes só são feitos nas legislativas, e não em presidenciais. Destas eleições restam os dados agregados dos resultados e as sondagens.