Morreu Carlos Antunes, co-fundador das Brigadas Revolucionárias

Chega ao PCP aos 15 anos, entra na clandestinidade, abandona o partido em 1970 e funda as Brigadas Revolucionárias.

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Carlos Antunes e Isabel do Carmo, líderes das Brigadas Revolucionárias Nuno Ferreira Santos

Morreu na tarde deste sábado, em Lisboa, o militante antifascista Carlos Antunes, apurou o PÚBLICO junto da família.

Carlos Antunes, de 81 anos, estava internado desde o passado dia 29 de Dezembro nos cuidados intermédios do Hospital de Santa Maria de Lisboa, afectado por covid-19. A família revelou que na manhã deste sábado, 23 de Janeiro, entrou em coma, vindo a falecer durante a tarde devido a pneumonia.

Na sua dilatada história como oposicionista à ditadura do Estado Novo, Carlos Antunes, que esteve exilado em diversos países, militou em duas organizações contra o fascismo. Nasceu em 1940, numa aldeia da Serra da Cabreira (São Pedro), no distrito de Braga.

Em jovem, aos 15 anos, adere ao PCP e, três anos depois, com apenas 18, passa a apoiar o aparelho clandestino comunista e fica responsável pela organização do partido na região do Minho, onde a industrialização começava a criar raízes. Um ano após, passa à clandestinidade tornando-se funcionário do secretariado do Comité Central.

Em 1963, vai para a Roménia dirigir a Rádio Portugal Livre, rumando em 1966 a Paris, como responsável da organização do PCP no estrangeiro, cidade onde participa na criação dos Comités de Ajuda ao Povo Português.

Será na capital francesa que começam as suas divergências com Álvaro Cunhal, sobretudo em relação à ocupação pelas tropas do Pacto de Varsóvia da Checoslováquia e sobre a posição dos comunistas portugueses perante a guerra colonial. Defendia que o regime salazarista só cairia por via das armas e não de forma pacífica, como entendia Cunhal.

O aprofundamento destas divergências acaba por levar à saída de Carlos Antunes e de Isabel do Carmo (com quem era, então, casado) do PCP e a fundarem, em 1970, as Brigadas Revolucionárias (BR). Nesse ano, entra clandestinamente em Portugal para organizar os núcleos das BR e, até 1974, dirige e participa em várias acções armadas, sendo fundador, em 1973, do PRP - BR [Partido Revolucionário do Proletariado - Brigadas Revolucionárias].

Antes do 25 de Abril de 1974, numa reunião em Milão, Carlos Antunes informa Joaquim Chissano, dirigente da FRELIMO e posterior Presidente de Moçambique, de divergências no seio das Forças Armadas Portuguesas face à continuidade da guerra colonial.

Após a Revolução dos Cravos, não abdica da violência, legitimando-a em nome da defesa dos trabalhadores, mas enquadrando-a na luta de massas. No Verão quente de 1975, a influência do PRP é importante em alguns sectores militares ligados ao COPCON. Depois do 25 de Novembro de 1975, são desencadeados nas estruturas castrenses processos contra Isabel do Carmo e Carlos Antunes como autores morais de acções de violência armada.

No julgamento iniciado em 1979, são condenados, respectivamente, a 14 e 15 anos de prisão. Nesse ano, dissidentes do PRP formam as FP-25 [Forças Populares 25 de Abril). Depois de sair da prisão, Carlos Antunes adere ao Ecosocialismo, sendo autor do livro Ecosocialismo, Uma alternativa verde para a Europa.

Em Abril de 2014, entra no filme “Outra Forma de Luta”, do realizador João Pinto Nogueira​.