Comissão quer 70% da população adulta vacinada contra a covid-19 até ao fim do Verão

Executivo comunitário insiste que é preciso acelerar e que metas podem ser alcançadas com as doses já disponibilizadas. Apelo é para os governos nacionais, mas também para as empresas farmacêuticas.

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Comissão diz que e que metas podem ser alcançadas com as doses já disponibilizadas Reuters

A Comissão Europeia lançou um novo apelo à aceleração das campanhas nacionais de vacinação contra a covid-19, e estabeleceu metas de curto e médio prazo que os Estados-membros devem esforçar-se por cumprir: vacinar pelo menos 80% dos profissionais do sector social e da saúde, e a população com mais de 80 anos, até ao fim de Março. E, cumprida essa etapa, alargar imediatamente a cobertura ao resto da população, para que a União Europeia possa chegar ao fim do Verão com 70% dos adultos já imunizados contra o coronavírus.

Metas ambiciosas e que, garante a Comissão, podem ser alcançadas através da administração das doses já disponibilizadas no âmbito dos contratos assinados pela União Europeia com as duas farmacêuticas que já viram a sua vacina aprovada pela Agência Europeia do Medicamento, a Pfizer-BioNTech e a Moderna. O licenciamento da terceira vacina, da AstraZeneca, poderá acontecer ainda este mês.

Mesmo assim, Bruxelas reconhece que o sucesso da campanha de vacinação não depende exclusivamente da vontade e da organização dos governos nacionais. Na sua nova comunicação relativa à estratégia europeia de vacinação contra a covid-19, adoptada esta terça-feira, o executivo comunitário apela às empresas produtoras de vacinas que reforcem a produção de doses e assegurem a sua distribuição nos termos dos contratos de aquisição conjunta.

“Os produtores têm de maximizar a sua capacidade de produção o mais rapidamente possível”, declarou o vice-presidente da Comissão para a Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas. “Estamos numa corrida contra o tempo”, lembrou, dizendo que a Europa se encontra numa situação delicada em que consegue vislumbrar o fim da crise, mas ainda não consegue lá chegar. “Pode ser que estas metas ajudem a concentrar os espíritos…”, considerou.

Até se atingir a velocidade de cruzeiro na vacinação, os gestos sanitários de distanciamento físico e limitação de contactos sociais têm de continuar a fazer parte da rotina, e as medidas restritivas dos movimentos e da circulação devem manter-se em vigor, sublinha a Comissão Europeia, que mais uma vez insiste na necessidade de coordenação entre os Estados-membros para conter a pandemia. “Agora mais do que nunca, precisamos da coordenação, unidade e vigilância dos Estados-membros”, insistiu Schinas. “Vai demorar algum tempo até conseguirmos vacinar toda a gente”, admitiu a comissária para a Saúde, Stella Kyriakides.

Antecipando-se à discussão informal entre os 27 chefes de Estado e Governo da UE, numa videoconferência do Conselho Europeu agendada para quinta-feira, o executivo aconselha os países a acertarem uma estratégia conjunta para “reduzir o risco de transmissão ligado às viagens”, nomeadamente desencorajando todas as deslocações que não sejam essenciais até que a situação epidemiológica melhore.

Bruxelas quer que os Estados-membros melhorem a sua comunicação, e não que tomem medidas que ponham em causa o funcionamento do mercado interno e e a liberdade de movimentos dos cidadãos. “O cancelamento de voos ou a proibição de outros meios de transporte não é aceitável”, disse Schinas. Porém, os passageiros têm de estar preparados para acatar restrições e respeitar regras (por exemplo, a testagem antes da partida ou a quarentena após a chegada), desejavelmente harmonizadas ao nível dos 27.

No que diz respeito aos testes, o executivo comunitário insiste na questão do reconhecimento mútuo e volta a defender o alargamento da testagem com recurso aos testes rápidos de antigénio. Mas tendo em conta que se encontram actualmente três novas variantes do vírus em circulação no território europeu, a Comissão considera fundamental aumentar a sequenciação do genoma nos testes positivos. Actualmente, os Estado- membros só estão a analisar 1% das amostras com resultado positivo — e é “urgente” que esse rastreio possa ser feito em 10% das amostras, “para poder identificar a progressão destas variantes e possivelmente detectar o aparecimento de outras novas”. “Estas três variantes são motivo de grande preocupação. Precisamos de agir já, não podemos ser complacentes”, vincou Kyriakides.

Outra questão que a Comissão quer ver esclarecida tão rapidamente quanto possível — até ao fim do mês, apontou Schinas — tem a ver com o reconhecimento mútuo e “interoperacionalidade” dos certificados de vacinação que são emitidos a cada indivíduo após a administração da vacina. “São documentos importantes de registo da vacinação de cada indivíduo e que também podem servir um propósito científico, para aferir da eficácia da vacina”, defendeu a comissária da Saúde, que considerou “prematuro” estar a especular se estes certificados poderão isentar os seus detentores do cumprimento de medidas como quarentenas.

“Devemos estudar de que maneira estes certificados poderão ser utilizados, no futuro, para facilitar a mobilidade”, afirmou Margaritis Schinas. No entanto, de momento, a Comissão vai deixar esse debate, que diz ser “político”, para os líderes europeus. “De momento, estamos a trabalhar com os Estados-membros para assegurar que os certificados de vacinação cumprem integralmente a legislação europeia de protecção de dados”, precisou.